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Treinos com o peso do próprio corpo substituem ida à academia

Estudos sugerem que treinar em casa pode ser tão vantajoso quanto se deslocar até a academia e utilizar aparelhos

Por: Redação
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Crédito: DivulgaçãoProfissionais de educação física ministram aulas por vídeo

Tem muita gente se acostumando com os exercícios em casa e ponderando largar de vez a academia –sem se afastar dos hábitos saudáveis. E a ciência está ao lado dessas pessoas. Um levantamento publicado em julho deste ano no periódico “Fronties in Physiology” demonstrou que treinos com o peso do próprio corpo promovem ganhos de força muscular muito próximos dos obtidos com exercícios em academias.

A carioca Renata Prado, de 48 anos, é um exemplo dessa nova realidade. Ela decidiu cancelar sua matrícula na academia que frequentava havia sete meses e migrou para aulas 100% virtuais. “Nunca gostei do desfile de corpos sarados na academia. Era um ambiente que me fazia muito mal, já que passei a minha vida brigando com a balança”, ela conta. “Me sinto mais confortável com essa flexibilidade de fazer ginástica em casa ou no ‘play’ do meu prédio, na hora que estou livre.”

O doutor em educação física Paulo Gentil observa que essa prática não requer muitos recursos. Uma das possibilidades é usar acessórios que promovem uma resistência controlada aos músculos. “Prender elásticos ou fitas de suspensão em objetos físicos favorecem se opor à gravidade. Até mesmo elementos da própria casa são sugeridos por nossa equipe, como cadeiras, alimentos e cabos”, exemplifica. “Os recursos são os mais variados.”

Novo normal da atividade física

Durante a pandemia, ele e o gestor da área de saúde Helder Montenegro desenvolveram uma plataforma digital para profissionais de educação física darem aulas por vídeo.

“Quando chegou o momento da pandemia, nós vimos que as pessoas estavam inativas”, relembra Gentil, que também acompanhou a “febre” das aulas on-line no início da quarentena. “Depois muita gente abandonou, porque não teve resultado e se machucou.” Então, surgiu a ideia da plataforma Person@ll.

“Mais da metade da população mundial é sedentária”, afirma Gentil. “Nosso foco é conseguir aumentar a proporção de pessoas que praticam atividades físicas regulares. Precisamos desmistificar que o treino efetivo só acontece dentro da academia e com uso de equipamentos.” Segundo ele, o melhor exercício é o que se adapta à rotina e aos gostos pessoais, independentemente do local.

Crédito: DivulgaçãoO doutor em educação física Paulo Gentil

Embora a pesquisa demonstre que a atividade física em casa pode ser tão eficiente quanto outras modalidades, Gentil alerta para a necessidade de orientação profissional, mesmo em videochamadas. “Os exercícios precisam ser personalizados, levando sempre em conta a capacidade física, os objetivos e o histórico de saúde de cada pessoa”, explica. “Utilizar um treino ‘forma de bolo’ que você pegou em uma ‘live’ ou na internet pode ser um tiro no pé e causar graves lesões.”

É melhor prevenir

Conforme outro estudo publicado pela revista “The Lancet Global Health” em julho deste ano, pesquisadores de universidades do Reino Unido, da Escócia, da França e da Austrália constataram que cerca de quatro milhões de vidas são salvas, ao ano, pela prática regular de exercícios. E isso envolve a prevenção de problemas tanto de ordem física quanto mental.

Mas, de acordo com a International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA), associação mundial que representa academias, centros de saúde, spas, clubes e fornecedores esportivos, menos de 5% da população brasileira vai à academia. De cada 100 alunos que entram em um desses centros esportivos, 96 não permanecem por um ano.

Para piorar, quatro em cada dez brasileiros engordaram na quarentena, segundo levantamento feito por um grupo de pesquisadores das áreas de endocrinologia, psicologia e patologia.

Se você é um desses casos, tente se exercitar em casa, mas tomando alguns cuidados. “Devemos entender quais são os músculos trabalhados em cada exercício para que a gente consiga promover um treino harmonioso”, aconselha Gentil. “Um dos problemas é ter um grande desequilíbrio entre os músculos. Isso pode tanto oferecer um resultado estético ruim, como também pode fornecer lesões, tanto em curto quanto em longo prazo.”

Para o especialista, o mais importante é entender como o treino funciona, obtendo o objetivo esperado com risco minimizado. “O material mais importante para um bom exercício é o cérebro. Se a pessoa tiver conhecimento, basicamente tudo que está em volta dela vira um implemento eficiente.”