A combinação inusitada de músicos cegos tocando para um filme mudo resulta num espetáculo único e emocionante. Os sanfoneiros cegos José Rosa, de Jundiaí, e Clara Mantovani, de Rio Preto tocam canções ao vivo para acompanhar o filme mudo "Aitaré da Praia", de Gentil Roiz. Os músicos têm a companhia de Ruben Vera, no violão e na voz. O filme de 1925 – um clássico do cinema brasileiro – foi rodado em Pernambuco e recentemente foi restaurado pela Cinemateca Brasileira e a Fundação Joaquim Nabuco. A fita conta a história de um pescador e seu amor impossível por Clara, vivendo desventuras e situações inusitadas em 1920. O filme é projetado em DVD.

A direção musical do show é do compositor Livio Tragtenberg, criador da Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo e compositor de várias trilhas sonoras para o cinema. A execução musical conta, ainda, com a participação de Lucas Gervilla na central de controle.

No repertório, a orquestra toca “Aitaré da Praia suíte”, com os músicos Jose Rosa (sanfona), Clara Bastos (sanfona e voz) e Ruben Vera (violão e voz).

Sobre a Blind Sound Orchestra

A Blind Sound Orchestra nasceu para participar da I Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, promovida pela Cinemateca Brasileira em 2007. A combinação entre músicos cegos e cinema mudo desde então tem emocionado as pessoas. Seus componentes são músicos de rua de cidades do interior paulista. Combinando referências da música caipira instrumental e vocal com sonoridades criadas pelo compositor Livio Tragtenberg, o resultado é uma música de cinema bastante original.

Através de um sistema próprio, os músicos cegos são orientados em tempo real na execução da trilha sonora do filme. Ao acompanhar as peripécias de uma película silenciosa acompanhada por canções ao vivo, o espectador coloca-se como um voyeur que realiza a ponte entre o que vê e o que ouve. Uma experiência de interação entre imagem e som. O grupo participou recentemente com grande sucesso do Festival Brasil em Cena, no Hebbel Theater, em Berlim.

Orquestra de cegos