O projeto "Errante", do mexicano Hector Zamora, será apresentado pelo Itaú Cultural, a céu aberto, a partir do dia 9 de outubro, sob curadoria do arquiteto  Guilherme Winisk, e visa provocar um debate sobre urbanismo, meio ambiente e arte pública, na cidade de São Paulo.

Quem passar pelas margens do Tamanduateí, perto do Mercado Municipal de São Paulo, vai deparar com uma imagem curiosa: árvores de grande porte estarão suspensas sobre o rio.

Errante busca impressionar e provocar discussão: como a arte se relaciona com o espaço público? Como desenvolver a cidade sem destruir recursos naturais tais como os rios? É a primeira de uma série de obras do projeto "Margem", que irão dialogar com rios importantes da bacia hidrográfica brasileira. O objetivo é trabalhar temas decisivos como urbanismo, meio ambiente e marginalização social. Segundo Wisnik, "margem lembra não só os rios, mas também o que ficou de lado no progresso".

Outra face do projeto visa despertar o interesse pela arte pública. A arte que fica no espaço de todos serve para mudar a percepção que se tem de algo cotidiano e que pode às vezes passar despercebido. Zamora destaca que a obra no espaço aberto dialoga com vários tipos de pessoas, além de críticos e entendidos.

O local em que Errante acontece é significativo: no início do século XX, o limpo Tamanduateí era lugar de lavar roupa e pescar. Em certo período, foram chamados especialistas europeus para construir o Parque Dom Pedro II. Com o tempo, a urbanização poluiu o rio e desfigurou o parque, "de um jeito que nem parece mais um parque", diz Guilherme Wisnik.

"São Paulo é errante", diz Zamora, "sempre mudando, esquecendo do seu passado". A obra acaba sendo um retrato da cidade, mas o artista ressalta que o que ela pode fazer pensar tem um alcance mais amplo. "Vale para o Brasil, para o México, para o mundo", afirma.

Errante

09 Out
e
28 Nov

  • diariamente de 09/10 (Sáb) a 28/11 (Dom)
    • das 06:00 às 00:00

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