Em 2007, a prefeitura de São Paulo proibiu os chamados outdoors, inclusive placas de sinalização de lojas que levassem qualquer tipo de mensagem, com neon e tudo. É a primeira vez depois que a lei “anti-poluição visual” entrou em vigor, que se verá uma espécie de transgressão. Mas, para o bem.

Com o intuito de fazer do centro uma galeria a céu aberto,  a conhecida “Street Biennale” (Bienal de Rua) é uma performance artística e cultural encabeçada por artistas convidados a expressarem sua arte em fachadas de imóveis, que um dia abrigaram em seus muros qualquer tipo de publicidade.

Idealizada pelo curador francês Jeremy Planchon a bienal de rua foi criada para dialogar com pessoas que não têm o hábito de frequentar galerias e com artistas que não têm o costume de criar nas ruas. "Propomos um diálogo entre o artista e o público, e entre a cidade e ambos. A ambição da mostra é expor ao olhar de todos a criação de hoje na sua diversidade ideológica formal, mas com total liberdade. O espectador se torna ator sem ser arrancado do seu cotidiano”, argumenta Planchon

A apresentação dos trabalhos girará em torno da rua Conselheiro Crispiniano, da Praça Ramos, da avenida São João e Rio Branco, Praça Júlio Prestes e centro histórico. Poderão ser vistos os trabalhos de sete artistas convidados. Um outro olhar para a cidade é o que propõem o grupo participante. Dos sete, quatro deles são brasileiros, dois franceses e um chinês, que através de suas obras realizadas especificamente para cobrir as fachadas dos imóveis.

O conceito da Bienal de Rua nasceu do desejo de que a arte exibida nos museus saia das galerias para integrar lugares públicos atípicos. Sua palavra de ordem é “criar uma interação entre a obra do artista e o espaço urbano em que se insere”.

Essa concordância entre o sujeito, espaço e da cenografia onde nasce as instalações que são verdadeiras performances artísticas urbanas.

O projeto não possui financiamento local. Toda verba para o projeto é oriunda da Biennale de Paris. Os trabalhos ficarão expostos até o dia 23 de outubro. Após a data, os edifícios voltarão a obedecer a lei Cidade Limpa.

Conheça os artistas envolvidos:

reprodução

Créditos:

Obra de Mambo no Centro

Mambo

O franco-húngaro Flavien Demarigny nasceu em Santiago do Chile, em 1969. Vive e trabalha na França. Sua base criativa nasceu da cultura pop dos anos 80. Seus trabalhos são conhecidos em Praga, Tóquio, Londres, Índia, Senegal,Nova York, entre outras cidades pelo mundo.

Pintor e grafiteiro, Flavien se estimula de imagens e conceitos da sociedade de consumação e transforma com humor e poesia questões de um mundo que possui uma overdose contínua de informação e clichê. Autodidata participou de um coletivo de Muralistas criado em 1986. Seus trabalhos fizeram também parte da intervenção no Centro Georges Pompidou e grifes como Agnés, Oakley e Prada.

Créditos:

Trabalho da artista plástica

Ko Siu Lan

O trabalho da chinesa Ko Siu Lan é uma coexistência de diferentes culturas, linguagens e sistemas sociais de suas experiências entre a China do leste e do oeste. Seus trabalhos são reveladores no quesito político-ideológico visual e mental. A artista faz performances, instalações, objetos e vídeos. A artista se tornou conhecida no reduto parisiense em 2010 com seus banners criticando o governo de Nicolas Sarcozy. Em São Paulo, a artista apresenta em dos edifício um painel com imagens de um homem recém chegado a uma nova cidade.

Créditos:

Trabalho do artista Vicente de Mello

Vicente de Mello

Nascido em São Paulo, em 1967, Vicente vive e trabalha no Rio de Janeiro. Publicitário de formação e diplomado também em história da arte e arquitetura se interessou pela fotografia rapidamente e integrou-se ao Museu de Arte Moderna do Rio no final dos anos 80. Ganhador de prêmios seus trabalhos fazem parte de acervos como Pinacoteca do Estado de SP, MAM SP e Rio e Coleção Pirelli.

Créditos:

Obra de Fabiano na Bienal de rua

Fabiano Gonper

Nascido em João Pessoa, em 1970, Fabiano vive e trabalho em São Paulo. Sua formação inicial foi como escultor. Artes plásticas, vídeo, desenho fazem parte do universo do artista. Ele desenha silhuetas e esculpe o comportamento físico. A maneira dos filmes mudos, ele desenha sem palavras. Questões de poder e política povoam seu imaginário. O artista se apropria de imagens de revista, vídeo, jornal e fotos. Fabiano propõe na fachada do edifício esquina com a rua Timbiras e Avenida São João um emaranhado de pessoas que se mesclam entre rostos em branco.

Créditos:

A obra de Climachauska no Centro

Paulo Climachauska

Nascido em São Paulo, em 1962, formou-se em História e Arqueologia e apresenta a instalação “Veja bem”. Nela, cola na fachada de um edifício uma grande papel que simula a tabela de um oftalmologista, questionando os limites da visão e o ato de ver. O título joga com a dubiedade entre o sentido de ver bem e o de duvidar de algo estabelecido. Ele apresenta ainda a série “Projeto moderno”, que, através de fotos, objetos e desenhos, inverte conceitualmente o processo criativo de uma obra de arte. O artista realizou sua primeira exposição em 1991, no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Desde então, participou da 26ª Bienal Internacional de São Paulo (2006), expôs no Moderna Musset, de Estocolmo, no Park Gauflstrafle, em Hamburgo, no Henry Moore Institute, na Inglaterra, e no Toyota Contemporary Art Museum, no Japão. Possui obras nos principais acervos públicos do Brasil.

Créditos:

Obra de Herbert

Herbert Baglione

Nascido em São Paulo, Baglione é autodidata. Em seus trabalhos, pesquisa o caos, a morte, a sexualidade e a fé, utilizando pintura, desenho e instalação como suporte. Com passagens no campo editorial e na arte urbana, explora essas linguagens com um argumento mais intimista e provocador. Expôs seus trabalhos na América Latina e na América do Norte, Europa e Ásia e, atualmente, trabalha em um projeto que terminará em 2012.


Mohamed Bourouissa

Francés, recém-formado pela Ecole Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, ele apresenta a série fotográfica “Péripheriques”. Dono de um apurado senso estético, mostra com criatividade a vida e o cotidiano de jovens do subúrbio. Recria cenas e acontecimentos inacessíveis aos estrangeiros das periferias, permitindo o espectador penetrar na intimidade dos bairros pobres de Paris. O artista ainda apresenta uma série de desenhos criados numa visita ao Brasil, em 2008.

Bienal de Rua

23 Set
e
30 Nov

  • diariamente de 23/09 (Qui) a 30/11 (Ter)
    • das 00:00 às 23:59

Catraca Livre

Este conteúdo - assim como as respectivas imagens, vídeos e áudios - é de responsabilidade do usuário da Rede Catraca.

O Catraca Livre disponibiliza espaço no site para que qualquer interessado possa contribuir com cidades mais acolhedoras, educadas e criativas, sempre respeitando a diversidade de opiniões.

As informações acima são de responsabilidade do autor e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.