O espetáculo mostra, por meio de um aparente diário anual, pensamentos, emoções e ações próprias, mais relativas ao interior da personagem do que ao tempo cronológico. Com o desenrolar do tempo aparecem questões que não são qualificadas em grau de maior ou menor importância, já que o texto é uma homenagem ao ser, livre em sua gratuidade, mas com a legitimidade de direito a existência.

O texto de Denise Stoklos, que tem origem no poema “A Birthday Book”, de Gertrude Stein - contesta o sistema social em que vivemos, onde os valores dependem de sua utilidade prática ou de rendimentos concretos. Em Calendário da Pedra, a personagem se depara com momentos diversificados, dando-se a permissão de aflorar o que está no seu íntimo, mas num íntimo do coletivo, num subconsciente da natureza humana e que se reveste, surpreendentemente, tanto de momentos grandiosos como de outros, simples; mas todos igualmente vitais. O trabalho de Stoklos busca mobilizar uma transformação evolutiva em direção à dignidade do exercício de valores humanos.

Calendário da Pedra