A sede da Fundação Iberê Camargo abre ao público a primeira grande exposição de desenhos produzidos pelo artista que dá nome à instituição, com entrada Catraca Livre .

Fabio Del Re

Iberê Camargo em cartaz no seu próprio espaço

O artista plástico Iberê Camargo (1914-1994), é referência da história da arte moderna brasileira, e tem uma ampla e reconhecida produção dentro da pintura e da gravura. Sua obra tem  sido bastante revista , graças a uma extensa série de exposições, seminários, ensaios, teses, dissertações, livros e catálogos.

Fabio Del Re

Obra de Iberê Camargo, do acervo da Fundação

O que talvez não esteja tão evidente é o seu legado como desenhista: são aproximadamente 7.000 desenhos produzidos por ele ao longo da vida, 3.246 somente no acervo da Fundação Iberê Camargo, incluindo grafites, bicos de pena, pastéis, estudos, esboços, riscos com esferográfica, anotações, aguadas e guaches.

Estão presentes as imagens que perseguiram o artista ao longo dos tempos, como os carretéis, de diferentes maneiras. Assim como a figura dos ciclistas, que surge em 1942, através de um desenho a caneta de uma multidão de ciclistas, e volta a aparecer na obra somente em 1989. Há também desenhos que guardam um óbvio parentesco com uma série de outros trabalhos. Os mais conhecidos são duas grandes pinturas, dois óleos sobre tela batizados de No vento e na terra, de 1991, e No vento e na terra II, do ano seguinte.

No mesmo vetor, entre os desenhos de observação mais desacelerados, aparece a série que Iberê produziu enquanto esteve detido no Regimento Caetano de Faria, no Rio de Janeiro, entre dezembro de 1980 e janeiro de 1981 - em um trágico episódio, o artista matou um homem que nem mesmo conhecia. Enquanto aguardava o tramite judicial que aceitou a tese de legítima defesa, Iberê fixou no papel, anotando a data e o nome do local, as circunstâncias cotidianas da vida sem liberdade.

Outro dado bem curioso é que estarão presentes na exposição os cadernos de desenhos de infância e adolescência, que haviam sido recolhidos por sua mãe e depois arquivados pela esposa.