Em 2008, Gretchen candidatou-se à prefeitura da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, pela coligação PPS-PV. A rainha do rebolado completava 30 anos de carreira e queria parar de rebolar. O documentário "Gretchen Filme Estrada", produzido pela Mixer e que terá sua estreia amanhã,21, conta estes dois movimentos: aquela que seria a última turnê, caso vencesse a eleição, e a primeira campanha política.

Seguindo o balanço dos quadris de Gretchen nestes dois palcos - o palanque e o picadeiro -, o filme nos carrega por vários Brasis. Nesta estrada, bunda, religião, mídia e política se confundem. Circo e eleição são dois espetáculos sobrepostos. E Gretchen é uma brasileira tão real que parece inventada.

Artista parida na TV, nos antigos programas de auditório dos anos 70, Gretchen vai ao circo para sobreviver sempre que o vazio na agenda se alarga. Percorre um roteiro de circos mambembes pelos confins do Nordeste brasileiro, em bilheterias de dois reais. Neste país que a acolhe, dois reais é muito, às vezes demais. Nele, ela é a "artista conhecida nacional e internacionalmente". Ela é a TV que chega até lá encarnada. Ao vivo, às vezes se torna difícil de acreditar. Para muitos ela parece mais verdadeira na tela. A polêmica se instaura. É Gretchen ou a mulher do palhaço? As luzes da TV confundem e fora do jogo de imagens a platéia não sabe mais onde está a ilusão.

Assista um trecho do filme

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Candidata que sobe ao palanque para dizer que não é política, Gretchen promete levar a TV à Ilha de Itamaracá. Esta é a "mudança" que garante aos eleitores. Colocar Itamaracá dentro da tela. No final da campanha, ela não apenas promete levar a mídia, como afirma: "Eu sou a mídia". Ao longo deste percurso, ela se alia ainda a Jesus. A religião não é mais uma experiência do privado, mas cada vez mais uma aliada pública. Na última caminhada o jingle de campanha é trocado pela música da Igreja Renascer, a dos bispos Sonia e Estevam Hernandes. Gretchen chama Jesus e é o "Pai" agora que a elege prefeita.

O mundo do espetáculo aceita tudo. Nele, as palavras são vazios que preenchem o nada. No palanque, Gretchen, a rainha do rebolado, é política, é bunda, é Jesus, é Leila Diniz. O que é o real entre o circo e o picadeiro?

Esta estrada nos perturba com perguntas, mas não dá respostas fáceis. Aos poucos, tudo o que resta é o filme. A câmera. Quando não há mais nenhuma esperança de ganhar a eleição, o real passa a ser encenado como espetáculo.

Lançamento "Gretchen Filme Estrada", no Itaú Cultural

21 Set
Catraca Livre
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