São Paulo – A inédita Exposição Picha, com obras de roteiristas e desenhistas de 16 países do Continente Africano será apresentada no Museu Afro Brasil, de 15 de outubro a 08 de novembro. Picha reúne originais de desenhos, álbuns, revistas e publicações de jornais e revistas, e ainda um importante banco de dados com  informações sobre desenhistas, chargistas e caricaturistas. Além dos artistas africanos, participam da mostra o norte-americano David Brown, que virá ao Brasil especialmente para participar da programação do evento e o cartunista brasileiro e co-curador da exposição, Maurício Pestana, apresentando semelhanças e diferenças dos desenhos afro-descendentes destes dois países, junto com seus pares na África. A curadoria é da professora e pesquisadora de Histórias em Quadrinhos, Dra. Sonia M. Bibe Luyten.
No dia 14, às 20h,  no auditório do Museu Afro Brasil, haverá abertura com uma Mesa de Debates sobre o tema da exposição,  com as presenças de David Brown, Maurício Pestana e do pesquisador Nobuyoshi Chinen, da Universidade de São Paulo (USP), contando com a mediação de Sonia Luyten. Capacidade 150 pessoas.
Os principais nomes do universo dos HQs africanos foram selecionados para esta mostra. São obras que refletem em sua maioria cenas do cotidiano e a realidade sócio-política dos países daquele Continente. Estão na mostra produções de Farid Boudjellal (Argélia); Hecto Sonon (Benin); Barly Baruti (Congo); Pat Masioni (Congo); Pahé (Gabão); Ramón Esono Ebalé (Guiné Equatorial); Adjim Danngar (Chade); Didier Kassaí (Rep. Central Africana); Frank Odoi (Quênia); Marghuerite Abouet (Costa do Marfim); Kola Fayemi (Nigéria); Bob Kanza (Congo); Mohammed Nadrani (Marrocos); Dwa (Madagascar); Jean-Claude Ngmuri (Ruanda); Tayo Fatunia (Nigéria); TT Fons (Senegal); Themba Siwela (Africa do Sul); Karlien de Villiers (Africa do Sul).
Em 2008, Picha foi exposta no Museu Africano de Holanda e em Lagos, na Nigéria. Este ano, a mostra participou do Festival de Histórias em Quadrinhos Nostrum, em Palma de Mallorca, na Espanha, onde ficou entre os meses de maio e junho. A iniciativa é da NCDO, organização holandesa que promove o desenvolvimento de cooperação internacional, sediada nos Países Baixos e conta com a colaboração da Fundação Príncipe Claus, da Holanda.
O Universo das HQs africanas
Picha na língua Swahili, ou suali, quer dizer “desenho” e é uma corruptela da palavra inglesa “picture”, imagem.
Os quadrinhos africanos estão indo muito bem. Há desenhistas africanos ativos em todo o continente. Há muitos Festivais de Histórias em Quadrinhos e muitas revistas e álbuns sendo publicados. No Senegal, por exemplo, há um seriado de televisão muito popular baseado em um personagem de quadrinhos: Goorgoorlu.   A vida de Mandela foi descrita em quadrinhos na África do Sul e muitas revistas estão usando as Histórias em Quadrinhos para alertar os soldados sobre os perigos da AIDS na Etiópia.  É muito surpreendente notar como as Histórias em quadrinhos refletem a realidade (política) africana. Para se falar também de coisas mais leves e alegres é preciso recorrer a subterfúgios. A famosa série de quadrinhos Aya de Ypougon, de Marguerite Abouet, da Costa do Marfim, é uma novela gráfica, tendo como foco o amor, brigas e adultério.  Mas este quadrinho tem como cenário os tranquilos anos 1970 do país, quando a guerra civil da Costa do Marfim ainda estava muito longe de acontecer.
Na África, as Histórias em Quadrinhos podem ser produzidas por um baixo custo, não é necessário ter diploma universitário e são facilmente acessíveis sob o ponto de vista de comunicação.  Estes três fatores são favoráveis para um continente com uma infra-estrutura artística limitada. Existe, no entanto, um problema: os quadrinhos precisam ser distribuídos para poderem ser lidos e, muitas vezes, não existem canais para fazer isso. Além disso, apesar dos quadrinhos serem um produto barato, ainda é oneroso para o poder aquisitivo dos leitores africanos.

São Paulo – A inédita Exposição Picha, com obras de roteiristas e desenhistas de 16 países do Continente Africano será apresentada no Museu Afro Brasil, de 15 de outubro a 08 de novembro. Picha reúne originais de desenhos, álbuns, revistas e publicações de jornais e revistas, e ainda um importante banco de dados com  informações sobre desenhistas, chargistas e caricaturistas. Além dos artistas africanos, participam da mostra o norte-americano David Brown, que virá ao Brasil especialmente para participar da programação do evento e o cartunista brasileiro e co-curador da exposição, Maurício Pestana, apresentando semelhanças e diferenças dos desenhos afro-descendentes destes dois países, junto com seus pares na África. A curadoria é da professora e pesquisadora de Histórias em Quadrinhos, Dra. Sonia M. Bibe Luyten.

Os principais nomes do universo dos HQs africanos foram selecionados para esta mostra. São obras que refletem em sua maioria cenas do cotidiano e a realidade sócio-política dos países daquele Continente. Estão na mostra produções de Farid Boudjellal (Argélia); Hecto Sonon (Benin); Barly Baruti (Congo); Pat Masioni (Congo); Pahé (Gabão); Ramón Esono Ebalé (Guiné Equatorial); Adjim Danngar (Chade); Didier Kassaí (Rep. Central Africana); Frank Odoi (Quênia); Marghuerite Abouet (Costa do Marfim); Kola Fayemi (Nigéria); Bob Kanza (Congo); Mohammed Nadrani (Marrocos); Dwa (Madagascar); Jean-Claude Ngmuri (Ruanda); Tayo Fatunia (Nigéria); TT Fons (Senegal); Themba Siwela (Africa do Sul); Karlien de Villiers (Africa do Sul).

Em 2008, Picha foi exposta no Museu Africano de Holanda e em Lagos, na Nigéria. Este ano, a mostra participou do Festival de Histórias em Quadrinhos Nostrum, em Palma de Mallorca, na Espanha, onde ficou entre os meses de maio e junho. A iniciativa é da NCDO, organização holandesa que promove o desenvolvimento de cooperação internacional, sediada nos Países Baixos e conta com a colaboração da Fundação Príncipe Claus, da Holanda.

O Universo das HQs africanas

Picha na língua Swahili, ou suali, quer dizer “desenho” e é uma corruptela da palavra inglesa “picture”, imagem.

Os quadrinhos africanos estão indo muito bem. Há desenhistas africanos ativos em todo o continente. Há muitos Festivais de Histórias em Quadrinhos e muitas revistas e álbuns sendo publicados. No Senegal, por exemplo, há um seriado de televisão muito popular baseado em um personagem de quadrinhos: Goorgoorlu.   A vida de Mandela foi descrita em quadrinhos na África do Sul e muitas revistas estão usando as Histórias em Quadrinhos para alertar os soldados sobre os perigos da AIDS na Etiópia.  É muito surpreendente notar como as Histórias em quadrinhos refletem a realidade (política) africana. Para se falar também de coisas mais leves e alegres é preciso recorrer a subterfúgios. A famosa série de quadrinhos Aya de Ypougon, de Marguerite Abouet, da Costa do Marfim, é uma novela gráfica, tendo como foco o amor, brigas e adultério.  Mas este quadrinho tem como cenário os tranquilos anos 1970 do país, quando a guerra civil da Costa do Marfim ainda estava muito longe de acontecer.

Na África, as Histórias em Quadrinhos podem ser produzidas por um baixo custo, não é necessário ter diploma universitário e são facilmente acessíveis sob o ponto de vista de comunicação.  Estes três fatores são favoráveis para um continente com uma infra-estrutura artística limitada. Existe, no entanto, um problema: os quadrinhos precisam ser distribuídos para poderem ser lidos e, muitas vezes, não existem canais para fazer isso. Além disso, apesar dos quadrinhos serem um produto barato, ainda é oneroso para o poder aquisitivo dos leitores africanos.

Exposição Picha destaca universo das Histórias em Quadrinhos Africanas