Chamado de David Lynch canadense, Guy Maddin é um nome de peso do cinema independente da atualidade.  Ganha, pela primeira vez, uma mostra no Conjunto Cultural Banco do Brasil. Intitulada: No Crepúsculo de Winnipeg: O Cinema de Guy Maddin,apresentará trinta e seis filmes nove longas, dois médias e vinte e quatro curtas. Farão parte também dois documentários sobre o realizador e um curta-metragem em sua homenagem.

Um de seus maiores sucessos A Música Mais Triste do Mundo, de 2003, foi exibido apenas em festivais no Brasil. Suas obras transitam entre o fantasioso, o antigo e o novo cinema. Suas imagens, às vezes, sombras borradas nas telas nos levam a um mundo de caricaturas e recriações. Seu amor pelos filmes da década de 20 e pelo cinema mudo afloram e se tornam itens representativos em suas obras.

A atriz Isabella Rossellini com quem já trabalhou em quatro de seus longas escolheu Guy Maddin para dirigir o filme sobre seu pai. O resultado disso é o longa Meu Pai Tem 100 Anos, filme em homenagem a vida de Roberto Rossellini, em que a atriz atua e também é responsável pelo roteiro.

As obras de Maddin despertam sensações através de imagens que incorporam o nosso subconsciente e dialogam com o presente como se depois da projeção acordássemos de um sonho. O Catraca Livre entrevistou o diretor canadense. Abaixo, leia a entrevista na íntega.

Catraca: Quais atributos, como o isolamento, acabam auxiliando-o no processo de criação?

Guy Maddin:O isolamento é tudo! Eu moro na cidade mais isolada da América do Norte. Cresci nesse território, onde as transmissões de rádio eram muito ruins. Vinham de cidades norte-americanas tão distantes, que era a única coisa que nos trazia um alento para nossa noite. Nem todo mundo era capaz de fazer uma viagem e atravessar áreas desérticas que nos separavam da civilização. Tínhamos que imaginar o resto do mundo e nossas imagens eram as nossas versões do mesmo mundo que frequentemente perdíamos. Confesso que essas versões eram melhores do que as da vida real. Todos nós manufaturávamos mitos por isso.

Catraca: O que o senhor diria a um jovem cineasta?

Guy Maddin:Faça! Faça e cometa erros! E gaste todo seu dinheiro, o dinheiro dos amigos e depois que tiver dinheiro e dos amigos comece a brincar. Werner Herzog ensina seus estudantes a roubar. Eu não acho isso muito agradável.

Catraca: E, para aqueles que querem escrever um roteiro silencioso como começar?

Guy Maddin: Por um conto de fadas. Ou através de um resumo de uma Ópera ou a partir de um antigo mito. Depois desses elementos a autobiografia também.

Catraca: Que tipo de sensações o senhor deseja despertar no público?

Guy Maddin: Quero acordar a sonolência da escuta de um sonhador letárgico e de um sonho muito agradável. O tipo de um estado de meia-consciência onde a verdade charmosa ou ameaçante que nasce entre muitas bolhas, eu as deixo assim.

Catraca: O que o senhor sabe sobre o cinema brasileiro?

Guy Maddin: Triste. Eu não conheço muito, mas assisto a filmes do Zé do Caixão, que amo, e de Fernando Meirelles, que é verdadeiramente magnífico, talentoso e muito gentil.

Catraca: Que elementos da Mostra Crepúsculo de Winnipeg: O Cinema de Guy Maddin o senhor enfatizaria ao público brasileiro que atenderá a ela?

Guy Maddin: Gande atmosfera. Um subconsciente amedrontador, leve e desajustado construído através de uma lógica musical. Muitas sombras. Um reconhecimento através das sombras que caem.

No Crepúsculo de Winnipeg: O Cinema de Guy Maddin

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