Tulipa Ruiz e Karina Buhr se apresentam no Sexta Sonora do Centro Cultural da Juventude, dia 2, às 20h, com entrada Catraca Livre.


Por Marina Mantovanini especial para o Catraca Livre

Filha do músico Luiz Chagas, que tocava guitarra na banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção, Tulipa Ruiz viveu desde pequena cercada pela música. Segundo a moça com nome de flor, as conversas familiares sempre prestigiavam esse universo. Enquanto o irmão, Gustavo Ruiz, aprendia violão, ela cantava com a mãe em um coral e juntos ouviam os discos do pai.

Hoje, pai e irmão fazem parte da banda que a acompanha nos shows, momento que tem curtido demais, já que cada um respeita a musicalidade do outro. Conheça um pouco mais da artista em entrevista concedida ao Catraca Livre:

Quando começou a fazer música? Fez alguma especialização, cursos, algo assim?

Na adolescência fiz coral e um pouco de canto lírico. Sempre rolava som em casa, nas festas, com os amigos. O fazer música começou aí.

Como você enxerga o seu trabalho dentro da cena da música brasileira atual?

Acho que ele é fruto de uma série de influências e reflete o atual acesso que as pessoas têm tido à música. Eu não gravei disco ainda e tem um bando de gente ouvindo meu som.

Sobre as composições, como é o seu processo de criação? Elas refletem muito de você?

Meu processo de composição está sempre em processo. Às vezes vem a letra primeiro, ou então a harmonia. Ou uma melodia sem letra. Cada hora a composição sai de um jeito. Não tenho um método específico, mas gosto de exercitar a composição de diferentes formas. E sobre elas refletirem a minha pessoa, acho que minhas músicas sempre dão bandeira de como anda a minha cabeça...

Você também faz os arranjos ou trabalha as sonoridades com a banda?

Quando mostro minhas músicas para a banda, na maioria das vezes sugiro a harmonia. Aí o arranjo vira coletivo. Quando gravo em casa, meu irmão faz o arranjo e a produção. Estou super ligada na sonoridade da banda e gosto de pensar nos timbres presentes em cada música.

Pergunta básica:  quem são as suas influências? O que você tem escutado ultimamente?
Acabei influenciada por aqueles que passaram pela vitrola dos meus pais. Grupo Rumo, Joni Mitchell, Gal, Wings, Yoko, Zezé Mota, Baby Consuelo e vários outros. E por ironia do destino, ganhei uma vitrola novamente. E fui buscar os discos no passado. E somei com vinis do Thelonious Monk. E no digital tem rolado o novo da Ná Ozetti cantando Carmen Miranda, Karina Buhr, Of Montreal e Druques.

Qual o papel que a internet exerce sobre o seu trabalho? Para você, a net abre caminhos ou cria obstáculos?
A internet é essencial para o meu trabalho. No meu caso, ainda sem disco, tudo tem acontecido pela internet. Meus últimos shows e projetos são decorrentes dessa divulgação. Com a internet, uma pessoa no Acre e outra na Ucrânia podem baixar ao mesmo tempo uma música que eu fiz cinco minutos antes de eles clicarem em download.

Sobre as cantigas de ninar, que magia elas exercem em você? Por que?
Minha mãe me ninou com músicas e também ouvia muitos discos de acalantos. Sempre gostei da música cantada nos berços. É a candura na sua mais pura essência. Pesquisei um pouco sobre isso na faculdade (fiz Multimeios, na PUC) e depois fui trabalhar em um museu virtual de acalantos. A poesia da infância me encanta.

E o desenho? Qual papel ele tem em sua vida?  Você desenha desde criança?
Desde pequena eu queria fazer disco e capa de disco. Mas desenhar mesmo, acho que comecei a gostar na adolescência. Eu fazia parte de um grupo de performance chamado “Improviso de Supetão” . Eu era a responsável pelos milhares de panfletos que a gente produzia. Gosto de pensar na imagem e no som das coisas. Veja os desenhos no flickr da artista.

Resumindo: quem é a Tulipa?
Ah, essa resposta só depois de muita terapia...

Nas palavras da jornalista Patrícia Palumbo: “Tem que ouvir agora mesmo Karina Buhr! Uma jovem compositora e cantora pernambucana, percussionista, líder do Comadre Fulozinha e que agora está saindo em carreira solo. Um encanto. Canta bonito, escreve letras únicas, tem uma sonoridade incrível, nova, original”.    “Karina é uma compositora talentosa, singular, de poesia tocante. Seu sotaque ao cantar confere uma nota especial ao som. A formação da banda é um grande achado e os músicos são nossos velhos conhecidos, jovens e incrivelmente talentosos”…

Toda bagagem musical adquirida em muitos anos, convivendo com os mais variados tipos de música e expressões artísticas, transparece agora em carreira solo com shows que impressionam pela sonoridade experimental e vigorosa, letras com formato muito particular e poesia marcante. Esse novo trabalho tem forte acento pop e formação inusitada, com baixo, bateria, teclado, trompete e base eletrônica. A banda que a acompanha é formada por Bruno Buarque na bateria (Céu, Barbatuques), Mau no baixo (Anelis Assumpção, Rockers Control), Guizado no trompete (Maquinado, Los Sebosos Postizos) e Dustan Gallas no teclado (Cidadão Instigado, Otto).

A cantora Karina Buhr, iniciou sua carreira musical em 1994. Integrou inúmeros trabalhos e bandas de estilos musicais bastante distintos entre si, sempre com um envolvimento peculiar. Entre esses grupos estão os maracatus Piaba de Ouro e Estrela Brilhante, as bandas Eddie, Bonsucesso Samba Clube, DJ Dolores, entre outros.

Karina tem um reconhecimento de público e crítica pelo trabalho a frente da banda Comadre Fulozinha, desde 1997, com disco recém lançado em 2009. Esse fato torna ainda mais interessante a descoberta do seu projeto solo, pela grande diferença de estilos musicais. A artista também assina as ilustrações das capas dos 3 CDs da Comadre Fulozinha e com a banda fez várias turnês brasileiras e se apresentou em diversos palcos da Europa, Canadá e EUA.

Com o CD de estreia ainda no forno (previsão de lançamento para novembro de 2009) seu trabalho já foi reconhecido e recomendado pela mídia especializada como as revistas Rolling Stone, Isto É, TPM, Brasileiros, Caros Amigos, os jornais Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, entre outros.

A cantora recentemente estreou seu blog no portal MTV onde conta um pouco de sua história, fala da gravação do seu disco, expõe alguns de seus desenhos e escreve textos cada vez mais elogiados pelo público.

Karina também integra a banda da cantora Iara Rennó com o show Macunaíma Ópera Tupi. Recentemente participou do projeto Era Iluminada – Mangue Beat, do SESC Pompéia, dividindo o palco com a Nação Zumbi, Siba e a Fuloresta, Junio Barreto, Fábio Trummer, Lia de Itamaracá entre outros. Foi convidada especial com seu show nos “melhores de 2008” do projeto Prata da Casa e fará participção especial nos shows de 10 anos do projeto. Seu show também integrou a programação dos 10 anos do programa Vozes do Brasil, no SESC Paulista.

Radicada em São Paulo há 5 anos, fez parte do Teatro Oficina, de José Celso Martinez Correa, como atriz, cantora, percussionista e compositora. Com o grupo participou de “Bacantes” e de “Os Sertões” em temporadas em São Paulo, na turnê brasileira 2007 (Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Quixeramobim e Canudos), na gravação dos DVDs e abertura da temporada 2005/2006 do teatro Volksbühne, em Berlin. Com o grupo ganhou o prêmio Shell São Paulo de Teatro 2002, na categoria melhor trilha sonora.

Tem participação em CDs da Mundo Livre s/a, Eddie, Cidadão Instigado, Erasto Vasconcelos, Antônio Nóbrega, Dj Dolores, nas coletâneas Reiginaldo Rossi, Baião de Viramundo, Music from Pernambuco, Revista Bexiga Oficina do Samba, na coletânea infantil Brincadeiras, entre outros.

Tulipa Ruiz e Karina Buhr