Nesta quinta-feira, o Jardim Monte Azul celebra a 14ª edição da Mostra de Dança, tradicional evento cultural do bairro que abre as portas a 11 companhias da cidade de São Paulo. O festival propõe o diálogo entre os mais diversos elementos deste universo artístico, reunindo desde dança contemporânea a espetáculos infantis, samba de bumbo e maracatu. De 20 a 30 de outubro, no Centro Cultural Monte Azul, com entrada Catraca Livre.

Consagrada mundo afora por nomes como Pina Bausch ou Martha Graham, o fato é que no Brasil essa manifestação artística – que se conjuga através da sincronia de movimentos corporais - ainda não se rendeu às graças do grande público: talvez pela ausência de sua formação cultural ou mesmo pela distância que separa o povo desta “inatingível” arte.

Ante um cenário repleto por estigmas e barreiras, os organizadores da mostra buscam “popularizar” este conceito artístico e ao mesmo tempo evidenciar a proposta de integração cultural do projeto. “Sabemos da importância de levar a dança para a periferia, aproximá-la de um público que não está acostumado com este tipo de arte. Mas também queremos que moradores de todos os lugares da cidade saibam o que está acontecendo aqui, que desenvolvemos um evento cultural igual a aqueles realizados no Centro”, explica Tchê Araújo, curador e um dos produtores da mostra.

Da periferia para a periferia

Entre os convidados, destaque para a participação da Companhia Sansacroma, que pela quarta vez será um dos destaques da programação. Criado há nove anos, o grupo formado no bairro do Capão Redondo busca o mesmo caminho de “popularização” da arte corporal. “Trata-se de um trabalho de educação, antes de mais nada. Porque as pessoas subestimam a dança, justamente, pelo fato de não a conhecerem. Neste sentido entra a nossa a participação”, reflete Gal Martins, responsável pela direção geral e artística do grupo.

A artista também faz menção ao caráter pioneiro do evento, que em após 14 edições mantém sua característica de fundir diversas linguagens estéticas, reunindo grupos profissionais, amadores, do centro ou da periferia, sem qualquer tipo de distinção. “O trabalho realizado pelo pessoal do Monte Azul é de suma importância para uma série de fatores, que vai muito além da questão cultural. Fazemos o mesmo no Capão e, não à toa, esta condição nos torna parceiros,” lembra Gal.

Educar para Aprender

Se a busca pela popularização da dança ainda é um desafio a ser superado, a Cia. Giz de Cena pode ter um papel de vital importância neste contexto.

Meio-dia Panela Vazia

Com o espetáculo “Meio-dia Panela Vazia”, o grupo formado por Flora Poppovic , Gisele Penafieri, Lia Mandelsberg , Lívia império, Nô Stopa e Sandra Cavalini aposta no desenvolvimento da sensibilidade do público infantil. “A peça propõe uma nova percepção da sensibilidade artística entre as crianças, com o objetivo de despertar o interesse e ampliar a compreensão dos pequenos”, explica Livia Império. A peça será apresentada nos dias 21 e 22 de outubro.

Confira a programação completa:

Às 20h - Samba de Bumbo (Kolombolo Diá Piratininga)

15h - Meio-Dia Panela Vazia (Cia. Giz de Cena)

21h - A Máquina de Fazer Falar (Cia. Sansacroma)

16h - Meio-Dia Panela Vazia (Cia. Giz de Cena)

20h - R.U.A - Relatos Urbanos Anônimos (Cia. Artesãos do Corpo)

19h - Samba Rock Monte Azul

15h - Lúdico (Cia. Druw)

21h - Apresentação de espetáculo e roda de discussão - (Andréa Mourão + Débora Marçal)

21h - Aluga-se um Terreno na Lua - Grupo Qualquer Coisa A Gente Faz Outra Coisa

20h - De Cá Pra Lá - Cia. Informa

16h - Maracatu - Bloco de Pedra

19h - Sem Notícias de Ti, Mon Cher - Cría Sonhos

Mostra de Dança Monte Azul