Inspirado no conceito de que em espaços públicos a exposição de uma obra artística mantém um diálogo direto com seu espectador, o coletivo Corrosivo realiza no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), a oficina Intervenções urbanas: experimentações em vídeo, música e teatro.

“Não se trata de um curso específico de audiovisual, música ou artes cênicas. Vamos experimentar cada uma das linguagens para, em seguida, discutir e criar ações de intervenção em locais onde, normalmente, essas linguagens não são apresentadas”, explica Renata Ferraz, artista integrante do coletivo. O foco da atividade é o entorno do centro cultural. “Queremos analisar a relação do CCJ com o bairro Vila Nova Cachoeirinha e pensar qual tipo de intervenção os participantes gostariam de fazer para alterar o cotidiano dos moradores”, revela.

Para servir de base à dinâmica da oficina, foram selecionados livros de dois importantes artistas conceituais que trabalham a relação entre arte, espaço público e espectador. “Deixe um pedaço de tela ou de uma pintura inacabada no chão ou na rua”, orienta Yoko Ono em Instruções de ações, um dos trabalhos consultados. Outro título utilizado é Estudo para espaço/tempo, de Cildo Meirelles.

“Esses trabalhos, que na verdade são orientações, servem como um estímulo poético-artístico para as experimentações da oficina”, explica Renata, enfatizando que os encontros não são sobre os artistas mencionados, mas que suas obras servem como ponto de partida para as criações dos participantes.

Em atividade há três anos, o coletivo Corrosivo surgiu de uma parceria entre Renata e Carolina Bonfim. A oficina faz parte do Projeto Andares, contemplado pelo edital de Co-patrocínio para Primeiras Obras do CCJ.

Oficina analisa a arte em espaço urbano