Moradora de Ipanema, a fotógrafa Julia Assis só descobriu o tamanho da sua paixão pelo Rio quando, a trabalho, mudou-se para São Paulo. Antes de ir, para levar com ela um pouco da cidade, Julia tatuou sua paisagem favorita: o Morro Dois Irmãos. "Eu queria deixar bem claro que eu era carioca", diz ela, que, em terras paulistanas, se surpreendeu com a falta que a cidade natal fez.

Julia voltava para o Rio sempre que tinha tempo livre, até que resolveu voltar de vez. Fez sua segunda tatuagem, os Arcos da Lapa, e resolveu encontrar outros cariocas (nascidos aqui ou adotados pela cidade), que, como ela, resolveram tatuar a paixão pela cidade:

"Se eu desisti de morar em São Paulo porque sou apaixonada pelo Rio, por que não fazer um trabalho falando disso?", conta ela, que, há cerca de seis meses trabalha no projeto, que tem o nome provisório de "Rio, eu tatuo" e vai virar livro no próximo ano.

Registros cheios de história

Até o próximo ano, a fotógrafa  registrará cariocas que têm cartões postais e outras imagens não tão famosas espalhadas pelos corpos.

Entre os já fotografados, estão quatro amigas que fizeram o contorno da cidade, desenhado por uma delas, e Nega Teresa, a baiana (de verdade) que vende o acarajé mais famoso de Santa Teresa e tem o Morro dos Prazeres tatuado nas costas. Teresa tem ainda o bondinho amarelo, símbolo do bairro onde trabalha, gravado no braço.  O também fotógrafo  João Pedro Hachiya, 25, escolheu tatuar as famosas palmeiras do Jardim Botânico porque, quando ia lá quando criança, o avô dizia para que ele abraçasse as árvores, que transmitiam boa energia.

Essas histórias também vão estar relatadas no livro e em um vídeo, que Julia produz em paralelo, com as pessoas contando quando e por quê fizeram suas tatuagens.

Até meados de 2013, a fotógrafa segue à procura de boas tatuagens e boas histórias para o projeto. Quem quiser participar ou sugerir alguém que possa ser fotografado pode mandar um e-mail para [email protected] ou entrar em contato pela página dela no Facebook.