Telma  Queiroz suspeita que não seguiu a carreira de cantora porque não teve apoio familiar. Formou-se em direito na PUC-SP e passou a viver da advocacia -mas, agora, aos 44 anos, seu prazer é abrir espaço para bandas.

Trabalhando nas áreas cível e comercial, Telma nunca deixou de lado, mesmo que por vias tortas, a atração pelos palcos. Teve uma empresa de locação de som e luz para espetáculos, além de organizar festas infantis. O holofote no fim do túnel veio quando assistiu, como ouvinte, às aulas de um curso de rádio na USP. "Descobri que poderia montar minha própria rádio."

Nascia, assim, a experiência de uma rádio por internet chamada 100 Jabá -uma rádio que acabou, literalmente, na rua. Desde menina, organizava festivais na escola que estudava e, sempre que podia, cantava nas festas. Vivia atrás dos roqueiros que tocavam nos galpões da Barra Funda. Lembra-se, em particular, do teatro Lira Paulistana, um porão em Pinheiros que, no mês passado, completaria 30 anos e onde se reunia a vanguarda musical da cidade, como Itamar Assunção.

Foi ali o primeiro concerto dos Titãs. "Dá uma saudade de doer daquele porão de doidos talentosos." O porão, onde tanta gente passou tanto calor, abriga hoje uma empresa de alimentos congelados.
Aos poucos, a vida a levaria de novo para a música -e graças à vanguarda tecnológica.

A coluna na íntegra foi publicada no caderno Cotidiano do
jornal Folha de S. Paulo