No final de abril, uma aluna da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) denunciou nas redes sociais ter sido agredida e assediada nos arredores da instituição, localizada em Perdizes, na zona oeste da cidade. Dias depois, outras situações de violência sexual contra mulheres ocorreram a poucos metros da universidade.

"A caminho do ponto de ônibus, fui abordada por três homens. Um deles me segurou firme, me xingava muito e dava socos em minha costela e minha perna. Ele fez o que quis em meu corpo, mas não teve tempo para penetrações. Todos estavam visivelmente alterados por drogas e foram atrás de dinheiro", conta a vítima Carolina Ribeiro, estudante do curso de jornalismo.

Créditos: Coletivo VOA

Carolina foi vítima de violência após caminhar por ruas próximas à universidade

Indignadas com os casos relatados, Carolina e as alunas Amanda Pina, Nayani Leal e Bianca Gancedo resolveram estruturar o Coletivo VOA com o objetivo de unir as pessoas e reconstruir o que significa ser mulher na sociedade contemporânea. Além da mobilização em uma página do Facebook, outra ação do grupo feminista foi espalhar lambes nos locais do bairro em que jovens foram vítimas de violência.

Pela região, cartazes com a frase "Atenção, fui assediada aqui - Em caso de agressão, abuso e assédio, ligue 180" tomaram conta dos muros para protestar contra as agressões e ajudar as mulheres que passam por lá.

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As denúncias das abordagens próximas à PUC também fizeram as estudantes se unirem em busca de proteção. Por um grupo de WhatsApp, muitas delas combinam de sair das aulas juntas em direção ao ponto de ônibus ou estacionamentos.

De acordo com Carolina, "o objetivo do movimento é não deixar essas histórias morrerem da mesma maneira que nasceram: sem lenço, sem documento, ninguém vê e sabe de nada". A proposta é juntar o maior número de meninas possível, seja por um sentimento em comum ou pura empatia, para que elas ocupem as ruas em luta contra o machismo.

Assédio e violência

As jovens relatam que os casos de agressão são recorrentes. Nas últimas abordagens, inclusive, os suspeitos tinham características semelhantes: eram altos, bem vestidos e um deles com cabelos compridos até os ombros.

Em nota, a PUC afirma que tem recebido denúncias a respeito dos casos de assédio sexual e está tomando providências para apurá-las. "Lamentamos profundamente a ocorrência de tais fatos e ressaltamos, no entanto, que nenhum caso de assédio sexual foi registrado dentro das dependências da Universidade".

Para prevenir as ocorrências, a instituição recorreu à Polícia Militar com o intuito de ampliar o patrulhamento no entorno, garantindo maior segurança, e à Subprefeitura, a fim de melhorar a iluminação na região do campus. A universidade também orienta os alunos a procurarem a polícia.

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Feminista, vegetariana e repórter de Cidadania no Catraca Livre. ("nossas costas / contam histórias / que a lombada / de nenhum livro / pode carregar" - Rupi Kaur)

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