Alunos de arquitetura apontam racismo em disciplina da UFMG
Alunos do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) usaram as redes sociais nesta quinta-feira, 27, para criticar um trabalho de uma disciplina chamada “Casa Grade”.
O trabalho consiste em projetar um imóvel de alto padrão com espaço separado para empregados, com quartos e banheiros incluídos.
Por meio da página do Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura da UFMG, os estudantes publicaram uma nota de repúdio ao trabalho e ao próprio conceito da disciplina, que traz no nome uma alusão clara à desigualdade social e ao racismo.
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De acordo com a nota de repúdio, o trabalho da disciplina “incorpora a senzala e reforça os moldes de dominação em pleno século 21”. Para os estudantes, o caso ilustra como “a estrutura escravocrata ainda segue presente no cotidiano brasileiro.”
“Como discutido em diversas disciplinas na EAD-UFMG, o quarto de empregada, por exemplo, tem como origem a segregação escravista. Ele surge como uma solução para separar empregados e patrões que permaneceram vivendo juntos após a abolição, em 1888”, diz trecho da nota de repúdio.
Além do trabalho proposto, os alunos questionam o programa da própria disciplina. “O programa da disciplina, agravado pelo nome, explicitamente fere e desrespeita estudantes que, em diferentes níveis, conseguem subverter a ordem escravista ainda existente no Brasil”, diz a nota.
“Sendo assim, questionamos a quem contempla a construção da grade curricular e a arquitetura fomentada pela universidade na formação dos alunos do curso voltada para uma classe elitista, a qual parte dos graduandos da escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, pretos, pobres e advindos de escolas públicas, não pertencem” continua.
Os alunos prosseguem. “Questionamos também a posição do Departamento de Projetos em permitir a oferta da disciplina uma vez que está explícita as problemáticas do termo e do conteúdo propostos. O racismo institucional presente na Escola de Arquitetura vai de encontro a todos os esforços de inclusão expressados pela UFMG”, afirma o texto (leia na íntegra abaixo).
O site Estado de Minas entrou em contato com o professor da disciplina, Otávio Curtiss, que se manifestou por e-mail e disse que não tinha interesse em entrar nas questões problematizadas pelos estudantes. “Os alunos não são obrigados a cursar essa disciplina para obterem o grau de arquitetos”, disse.
Também procurada pelo em.com.br, a Escola de Arquitetura informou que aguarda o departamento e o colegiado se manifestarem para se posicionar sobre o caso.
Confira a nota de repúdio dos estudantes:
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