"Neste 8 de março, não quero flores. Quero poder andar com a roupa que eu quiser, sem ouvir comentários 'sujos' e sem ter medo de ser estuprada". E você? O que gostaria de ganhar de "presente" neste Dia Internacional da Mulher?

Com o objetivo de recuperar o sentido original da data, o Lado M lançou a campanha #NãoQueroFlores nas redes sociais para mostrar que o que toda mulher quer mesmo é respeito, em todos os sentidos. "Com a hashtag, esperamos contribuir para que, cada vez mais, as mulheres denunciem as situações e comportamentos abusivos", afirma Ana Paula Souza, editora do portal, em entrevista ao Catraca Livre.

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Foto: Reprodução/Lado M

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Para promover a ação, foi criado um manifesto online sobre a importância da luta das mulheres por seus direitos. "#NãoQueroFlores do meu namorado, amigo, marido ou pai: quero que eles me tratem de igual pra igual e que não tenham ideias sexistas ao meu respeito", ressalta um trecho do texto.

A iniciativa, lançada nesta semana, já reúne vários depoimentos de mulheres sobre casos cotidianos de machismo e violência de gênero. "#‎NãoQueroFlores,‬ quero respeito e poder usar a roupa que eu quiser!", escreveu uma internauta. Leia outros relatos:

Muitas mulheres compartilharam relatos no Twitter

Créditos: Reprodução/Twitter

Muitas mulheres compartilharam relatos no Twitter

De acordo com a editora do site, a ideia não é proibir as gentilezas que acontecem nesta data, mas sim mostrar que apenas isso não basta. "Para nós, mulheres, uma flor não vai apagar as agressões que já sofremos. No fundo, sempre fica uma marca, que flor nenhuma, que chocolate nenhum, é capaz de apagar", finaliza Ana Paula.

Para depois do Dia da Mulher, a equipe do Lado M está trabalhando em uma série de vídeos e textos para a promoção do empoderamento feminino, que será elaborada a partir dos relatos divulgados com a hashtag da campanha.

Confira abaixo o manifesto na íntegra:

Neste Dia Internacional da Mulher, #nãoqueroflores. Não quero um 8 de março que seja um misto entre Dia das Mães e Dia dos Namorados, com alguns homens me parabenizando por ser mulher. Não quero flores de comerciantes, não quero chocolate no trabalho e nem mensagens "fofinhas" como “Eu respeito as mulheres, então parabéns pelo seu dia”.

Neste 8 de março de 2016, queremos relembrar as mulheres que foram mortas nas indústrias têxteis e silenciadas porque reivindicaram seus direitos ao voto, melhores condições de vida e de trabalho. Neste Dia Internacional da Mulher, queremos relembrar as bolivianas que trabalham em regime de escravidão para grandes marcas, as iranianas que ainda são mortas em apedrejamentos e as mais de 200 meninas que foram sequestradas na Nigéria enquanto estavam na escola para depois serem estupradas e vendidas. Não, #nãoqueroflores, mas sim que tenhamos igualdade de direitos, liberdade sobre os nossos próprios corpos e, principalmente, respeito.

#Nãoqueroflores, mas sim ser tratada com respeito em todos os outros 364 dias do ano. Quero que as leis sejam cumpridas, que os tribunais não discutam sobre minha "honestidade" se eu for vítima de estupro e nem ser questionada sobre minha vida sexual. Quero ser respeitada pelos médicos caso tenha tentado fazer um aborto num momento de desespero, já que o Estado acredita ser dono do meu corpo e não me dá escolhas melhores a não ser práticas ilegais. Quero que a Lei Maria da Penha, que completará 10 anos, seja de fato posta em prática. Quero que a Delegacia da Mulher funcione em todos os dias da semana. Quero que cada vez mais mulheres em situação de violência doméstica e familiar sejam socorridas.

#Nãoqueroflores, mas sim poder falar sem ter medo de ser rotulada, quero poder ser puta sem ser julgada e quero sim ser dona do meu próprio corpo. Quero poder andar com a roupa que eu quiser em qualquer dia do ano sem ouvir comentários sujos e sem ter medo de ser estuprada. #Nãoqueroflores do meu namorado, amigo, marido ou pai: quero que eles me tratem de igual pra igual e que não tenham ideias sexistas ao meu respeito, me colocando em categorias entre comportamentos de mulher honesta e mulher puta. Eu sou quem eu quiser, a hora que quiser.

#Nãoqueroflores, mas sim que as mulheres gordas deixem de ser rotuladas como preguiçosas, sem força de vontade ou engraçadas; quero que as mulheres negras não sejam hiperssexualizadas; quero que as mulheres transgêneros sejam aceitas nos bancos escolares e no mercado de trabalho, bem como possam frequentar espaços femininos sem impedimentos, como banheiros para mulheres. Quero que as lésbicas não sofram as consequências do pensamento de que devem experimentar o sexo com um homem, assim como quero que as mulheres assexuais sejam respeitadas em seu desejo de não ter uma vida sexual ativa.

#Nãoqueroflores, mas quero que todas as mulheres deste país e deste mundo tenham seus direitos tutelados e que todas sejam respeitadas por suas culturas e suas origens. Quero que as mulheres que têm suas genitálias mutiladas sejam amparadas e desejo que tal prática pare já de ser realizada. Quero que as mulheres não sejam vítimas de estupro coletivo, assim como a garota indiana que estava num ônibus com um amigo quando isso aconteceu. Quero que as mulheres e crianças vítimas de exploração e tráfico sexual sejam libertas.

#Nãoqueroflores, mas quero sim um mundo diferente, um mundo de mudanças. Um mundo onde eu ganhe o mesmo que o meu companheiro de trabalho se ocuparmos o mesmo cargo e não seja discriminada apenas por ser mulher.

O Lado M se preocupa com a questão do empoderamento feminino para que a cada dia possamos aumentar a nossa voz e expor à sociedade os desafios e problemas enfrentados pelas mulheres deste e tantos outros países. Por isso, #Nãoqueroflores é uma campanha para que todas as mulheres possam botar a boca no trombone para se expressarem da forma mais livre possível para que todos possam ouvir a voz das mulheres. Nos preocupamos em saber por que você não quer flores e queremos convidar você para lutar junto conosco por um mundo diferente nesse 8 de março e em todos os outros dias do ano. Use a hashtag #Nãoqueroflores e grite para o mundo o que te deixa indignada, o que te revolta, o que te machuca.

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Feminista, vegetariana e repórter de Cidadania no Catraca Livre. ("nossas costas / contam histórias / que a lombada / de nenhum livro / pode carregar" - Rupi Kaur)

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