Tradicionalmente boêmio e de grande diversidade cultural e artística, o bairro da Vila Madalena vem passando, nas últimas décadas, por um processo comum em uma cidade ainda em expansão como São Paulo.  A “verticalização” e a valorização imobiliária, isto é, a multiplicação dos empreendimentos residenciais e comerciais nas ladeiras da Vila, trazem como consequência o adensamento do trânsito e o rareamento das áreas verdes.

Foi pensando em uma forma de lidar com isso que surgiu o projeto de um Plano de Bairro para a Vila Madalena. “Os moradores da Vila conseguem identificar rapidamente alguns problemas do bairro, como trânsito, enchentes, excesso de veículos, más condições para o pedestre”, explica a arquiteta e urbanista Anna Dietzsch, uma das idealizadoras do projeto. “O que o Plano de Bairro busca é apresentar um conjunto de propostas que pensem no desenvolvimento local, mas entendendo o desenvolvimento da cidade.”

A ideia surgiu como um contraponto a um movimento de parte dos moradores que lutam pelo tombamento das casas tradicionais do bairro. “Não podemos congelar uma parte da cidade”, argumenta a arquiteta. “Se nós temos que preservar alguma coisa não são as construções, mas sim a tradrição pedestre, a diversão e a diversidade cultural do local.”

Aceitando a mudança

Para Anna, o objetivo é que o bairro saiba lidar com o crescimento ao seu redor. “Nossa lógica é de aceitação da mudança, desde que usada em benefício do bairro. Assim, parte das propostas consiste em que os próprios empreendimentos sejam responsáveis pela manutenção da qualidade de vida local”, explica.

Baixe o pdf do projeto

Plano de Bairro para a Vila Madalena.pdf 

Mas a urbanista adverte que as iniciativas só podem ser levadas adiante se forem unânimes entre os maiores interessados.“O plano olha o bairro como um todo, por isso é importante a participação ativa dos moradores. Por enquanto, ainda há divergências, principalmente quanto a questão do tombamento X adensamento. Mas a discussão interna é fundamental para que o projeto siga em frente”, salienta. “Então o que temos ainda não é um plano concreto, é um estudo de ideias para o desenvolvimento sustentável do bairro. Há a Vila que temos e a Vila que queremos, nós temos que saber como chegar de uma até a outra.”

Para que os moradores saibam mais sobre a abrangência do projeto, painéis com as propostas e conceitos do plano ficarão expostos na Praça do Aprendiz dos dias 23 a 26 de agosto. O endereço é Rua Belmiro Braga, sem número. A entrada é Catraca Livre.