Créditos: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Dia Nacional da Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra é um dos poucos no qual a cobertura jornalística se preocupa em falar do racismo.

É de se esperar que a categoria — na qual a grande maioria é branca, segundo dados de 2012 da Federação Nacional dos Jornalistas, e onde só 23% dos profissionais são negros — só se preocupasse em noticiar questões raciais com afinco em um único dia do ano, negligenciando outros fatos sobre o tema que acontecem em todos os outros dias.

Mesmo assim, recentemente, vemos mais manchetes denunciando situações de racismo. Infelizmente, pela falta de diversidade racial nas redações, as coberturas, não raro, são bem repetitivas.

É cansativo ver o negro virar notícia apenas quando o tema é racismo. Muitas vezes, em meio à cobertura destes casos, a única coisa que se pensa é: “Quando o racismo vai acabar no Brasil?”.  E foi esta a pergunta que fizemos para alguns especialistas que entrevistamos para este especial da Consciência Negra em 2017. Tivemos algumas respostas:

“Nunca”, crava a dra. Aza Njeri, que nos falou sobre o papel das pessoas brancas no combate ao problema.

É possível ter outra resposta. Mesmo que não seja nenhuma.

“É delicado responder esta questão, uma vez que o racismo se apresenta a partir de um conjunto de eventos que formam uma estrutura já enraizada nas relações”, afirmou a rapper Yzalú, que nos indicou algumas músicas fundamentais para entender questões raciais no Brasil.

Mesmo com o destaque midiático, diz ela, “a população negra continua sendo a maior afetada quando observamos as taxas de homicídio dos jovens, as taxas de encarceramento, de desemprego, escolaridade, etc, sem contar os inúmeros casos de racismo que presenciamos a todo momento no noticiário”.

“Neste momento, penso tratar-se de uma questão sem resposta”, finaliza.

O músico Jairo Pereira, do Aláfia, tem uma opinião um pouco mais otimista, mesmo sem precisar quando acha que o racismo vai acabar:

“Acredito que uma coisa é importante para o fim do racismo: precisamos discutir privilégios e branquitude. As pessoas precisam compreender o lugar que foi posto aos pretos, de forma sistemática. E para que isso tenha eficácia, voltamos à velha fórmula educação, justiça, equidade, compaixão, altruísmo e empatia”.

O dr. Juarez Xavier, da Unesp, acredita que o fim do racismo passa pelo desmonte do mecanismo repressivo e o ideológico do Estado brasileiro. “Quando o racismo vai acabar? Quando a gente acabar com esse Estado de coisa que reproduz um processo perverso de massacre, execução, genocídio e extermínio da população negra com uma máquina ideológica justificadora desse massacre.”

Além de tudo isso, o racismo vai acabar quando houver mais informação para a sociedade. E essa é a arma principal neste especial sobre o Dia da Consciência Negra, que foi liderado pelos (poucos) jornalistas negros da redação. Em meio a pesquisa, entrevistas e produção, uma certeza (e também esperança): a informação é uma forma de empoderar uma sociedade - e, principalmente, a parcela negra desta sociedade - que anseia por mais igualdade racial.

Acreditamos que, com mais consciência e conhecimento, o fim do racismo estará cada vez mais próximo.

  • Confira todas as reportagens especiais produzidas para o Dia da Consciência Negra aqui

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