Imagine um mercado de trabalho de alta rotatividade, repleto de profissionais pouco ou nada qualificados, que moram a grandes distâncias de seus locais de trabalho e conseguem a maioria de seus empregos por indicação de conhecidos. Pois este cenário existe. Trata-se de parte do setor de serviços de muitas cidades do Brasil.

Foi pensando em como criar uma plataforma de procura de emprego para as classes baixas que um grupo de brasileiros e americanos formado na Universidade de Stanford, no Vale do Silício, desenvolveu o Emprego Ligado, sistema que conecta oportunidades de emprego a trabalhadores via SMS.

O funcionamento é aparentemente simples: os trabalhadores mandam mensagens para o sistema quando eles precisam de um emprego e o sistema responde de volta com trabalhos nas áreas que correspondem a suas preferências.

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Segundo os criadores, o deslocamento urbano da cidade é fruto da concentração irracional de poucas ofertas de emprego

Simplicidade aparente porque o processo para chegar até essa versão foi duro. A primeira dificuldade foi pensar em um sistema que fosse de fácil compreensão para os trabalhadores. Uma série de pesquisas revelou que muitas pessoas com baixa renda no país têm acesso a aparelhos celulares simples com sistemas operacionais modernos, mas usam planos pré-pagos, com pouca ou nenhuma troca de dados em rede. As mais usadas são as opções telefone e SMS.

Escolhido o meio, começou a etapa de testes com protótipos. Unindo empresas de RH, operadoras de telefonia móvel e um grupo de trabalhadores, os primeiros cadastros foram realizados. Ao longo do tempo, com mais pesquisa, defeitos eram corrigidos. O sistema de cadastro se tornou mais fácil e intuitivo, de modo que os profissionais deixassem de responder às mensagens SMS como se fosse uma conversa – como chegou a acontecer – ou se confundissem menos na hora de fornecer dados ao programa.

Atualmente, basta entrar na página do Emprego Ligado e criar um perfil gratuito para ficar à disposição das empresas, que também têm um espaço próprio para cadastro. As principais ofertas são nas áreas de Telemarketing, Supermercados, Vendas, Administrativo, Transporte, Construção, Restaurante, Limpeza, Industrial e Serviços Gerais.

A reação dos usuários de ambos os lados do mercado de trabalho tem sido extremamente positiva, o que ajudou o Emprego Ligado a conseguir financiamento de investidores pesos-pesados, como a empresas 500 Startups, Initial Capital, Rising Ventures, e Fortify. Para os criadores, a lição é simples: a única maneira de descobrir se há um equilíbrio entre mercado e produto é ir para a rua.