A espera pelo ônibus num ponto da cidade de São Paulo é um teste capaz de provocar um turbilhão de reações: da resignação pela demora excessiva à raiva por acenar pela parada e ser ignorado pelo condutor do coletivo. Agora os passageiros serão alvo de novos experimentos -com um "laboratório" que será montado a partir de quinta-feira na rua da Consolação, esquina com a Paulista.

Quando a umidade do ar estiver baixa, um climatizador tentará aliviar a sensação de desconforto no ponto. Quem não souber seu itinerário não precisará perguntar na banca de jornal -poderá usar um painel interativo, com tela sensível ao toque, que permite a consulta das linhas de ônibus.

Lixeira com sinal sonoro que "aplaude" quando alguém joga lixo no lugar correto, iluminação inteligente (que controla a luz conforme a presença de pessoas) e conexão Wi-Fi (sem fio) para celular também estarão por lá, no sentido bairro-centro. O acesso à internet ainda estará restrito às informações do próprio ponto de ônibus, mas a SPTrans (empresa municipal) ainda pretende abrir a consulta aos outros sites.

As novidades foram acertadas com a Tetis Engenharia e Tecnologia, que esteve no 18º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, realizado pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), no Rio de Janeiro. A empresa, que presta serviços de tecnologia à SPTrans, sugeriu testar um modelo experimental de ponto de ônibus sustentável e interativo, sem ônus à prefeitura -nem publicidade no local.

A proposta começará na rua da Consolação, mas, em seguida, os equipamentos farão rodízio em outras regiões. A cidade tem 19 mil pontos.

No primeiro alvo da experiência, existem câmeras para combater vandalismo. "É um laboratório. Vamos abrir para qualquer interessado em testar inovações", diz Douglas Roman, da Superintendência de Tecnologia e Informação da SPTrans.

O novo modelo, batizado de e-ponto, prevê que a parada (que terá também TV para mostrar os horários dos próximos ônibus) funcione de forma independente da rede de energia da Eletropaulo. Além de painéis solares, um dispositivo no asfalto captará a energia do movimento dos veículos -que será armazenada e utilizada na iluminação noturna do ponto.