Quando era adolescente, Mayana Zatz já sabia que gostaria de passar a vida num laboratório pesquisando genética. Foi uma das últimas gerações de estudantes de escolas estaduais capazes de entrar na USP sem fazer cursinho. Neste mês, ela apresenta uma de suas experiências em laboratório, em que a maioria das cobaias vem, como ela, de escolas públicas -e quase todas meninas. Mas não tem nada a ver com genética.

Pró-reitora de pesquisas da USP, Mayana teve a ideia de abrir os laboratórios da universidade para alunos de escolas públicas. Seriam acompanhados por pesquisadores dos diversos departamentos da USP. "A vivência com o laboratório fez deles pessoas mais curiosas e autoconfiantes. Ficar naquele ambiente é sentir um pouco de magia", afirma Mayana.

Mayana ainda sente essa magia nas pesquisas que a projetaram mundialmente como uma das principais defensoras, no Brasil, de pesquisas com células-tronco -antes da pró-reitoria, assumiu a coordenação do Centro de Estudos do Genoma Humano. Via também como os alunos mais interessados nos programas de iniciação científica desenvolviam maior aptidão para as descobertas.

Foi daí que veio a proposta de convidar alunos do ensino médio a frequentarem os laboratórios por um ano. "Seria um jeito de aproximá-los da USP." Demorou até a ideia sair do papel. Enfrentou a burocracia da Secretaria Estadual da Educação e, ao mesmo tempo, a resistência de alguns responsáveis pelos laboratórios. Cada aluno recebeu uma espécie de bolsa de iniciação científica no valor de R$ 150; o pesquisador também recebeu uma bolsa para acompanhar as experiências.

A versão na íntegra está no jornal da Folha de S.Paulo, caderno Cotidiano.