Certo dia, um pai viu Ronaldo Pereira recolhendo lixo nas ruas de Birigui (SP) e disse ao filho: “Olha lá, vai estudar, porque, senão, você vai pegar isso daí”. Para sobreviver, Pereira recolhe recicláveis, mas estudou, se graduou e é professor da rede pública do Estado de São Paulo.

Créditos: Reprodução/Intercept

Ronaldo Pereira, de 44 anos, é professor e catador de lixo

Parte viva da degradação da educação no Brasil, o professor é membro de um subgrupo de docentes: a categoria O. De acordo com reportagem do site The Intercept, os profissionais nessa situação não têm direito a FGTS, plano de saúde, vale-transporte ou vale-alimentação. Além disso, a cada três anos de trabalho, eles ficam, pelo menos, 200 dias sem aulas e, consequentemente, sem salário.

Segundo o texto assinado por Ricardo ChapolaGabi Di Bella, a categoria foi criada em 2009 por meio de um decreto assinado pelo então governador José Serra e mantido até hoje. Por causa dessa renda variável, Ronaldo passou a catar lixo em março de 2015.

Segundo o Sindicato de Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, são aproximadamente 30 mil profissionais nessa situação, mais de um para cada sete docentes. A solução é procurar por outra fonte de renda.

“Eu não vou falar que é humilhante, porque não acho. Mas sofro muito preconceito. Sofri muito preconceito na sala dos professores mesmo”, contou Pereira. “Teve um empresário aqui em Birigui que perguntou para mim: ‘Por que não vai trabalhar?’ Pô, mas eu tô trabalhando! É um trabalho digno como outro qualquer”.

Professor na categoria O

Na prática, é por meio dessa categoria que o Estado evita o deficit de professores na rede pública estadual e, ao mesmo tempo, economiza gastos com pessoal. Sem vínculo empregatício, esses professores temporários recebem menos em direitos trabalhistas.

Selo Facilite

Os temporários possuem contrato válido por três anos. Depois disso, são afastados por 200 dias --a chamada duzentena. Durante esse período, o professor fica sem receber salário até o dia em que for recontratado pelo Estado. Algumas vezes, o professor pode ficar ainda mais tempo na “geladeira” do que o previsto no decreto.

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