Em um terreno de meio hectare, Marlene Pereira, de 46 anos, enfrenta a histórica estiagem da seca paraibana, que já dura cinco longos anos, para sustentar a família.

E num espaço menor que um campo de futebol, a matriarca paga as contas do mês com o que ganha na venda de cebolinha, coentro, batata doce, alface, couve e milho na feira agroecológica de Lagoa Seca, cidade a pouco mais de 140 quilômetros da capital João Pessoa.

Tudo que planta, dá

Mais uma personagem da batalha contra a seca do semi-árido nordestino, Marlene explica que, no passado, pais e avós enfrentavam o desafio da colheita em um solo infértil. Atualmente, entretanto, Marlene revela novas perspectivas: "Hoje, eu boto tudo no chão e dá. Tendo água, dá tudo."

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Tecnologia social: futuro melhor para todos

O mais valioso produto para a empreitada de Marlene, a água, começou a chegar em abundância na região em meados de 2010 – graças às cisternas construídas pela FBB (Fundação Banco do Brasil), que desde então implantou 92 mil equipamentos em todo o semiárido nordestino.

Para além do consumo das famílias, que reaproveita a água captada da chuva e a preserva em reservatórios de 16 mil litros, ou para a criação de animais e produção, a chegada da água transformou a realidade de milhares de pessoas. "Antes, era uma vida só da cacimba [poço]. Acabou a água, acabou tudo. Hoje, não. A gente, mesmo nesse período de seca, continua mantendo nossas feiras agroecológicas."

Novos frutos 

Historicamente castigada pelo clima seco e solo infértil, Lagoa Seca conta com a rede de agroecologia desde 1994, embora apenas 12 mais tarde, em 2002, tenha surgido a feira de produtos ecológicos. Mais recentemente, em 2014, o projeto Ecoforte - Redes de Agroecologia na Borborema passou a oferecer melhor estrutura para a feira, com barracas e equipamentos de transporte.

As iniciativas facilitam a vida no semiárido e ajudam a permanência dos sertanejos na agricultura. Confira a matéria na íntegra na página da Folha de S. Paulo.