“Não está adaptado ao processo dessas vagas”. É o que Roberto Pereira Da Mata, 25, escutou em algumas das entrevistas de emprego pelas quais passou recentemente. Ele procura por uma oportunidade de trabalho há cerca de seis meses, desde que se formou em Engenharia Elétrica pela Faculdade de Engenharia Industrial, (FEI – Unidade São Bernardo).

“O problema é que não existem muitas oportunidades com o meu perfil, que vai mais para área técnica”, aponta o rapaz, que já trabalhou no ramo antes e durante a graduação.

E ele não está sozinho. De acordo com uma pesquisa realizada em 2010, a taxa de recém formados desempregados no Brasil chega aos 6,1 % da população. Os fatores variam muito. Falta de qualificação, carreiras saturadas, entre outros, auxiliam na manutenção de tal situação. Porém, nos pontos que podem ser mudados pelos próprios candidatos, os caminhos disponíveis são muitos.

“É importante que o entrevistado mostre preocupação em outras partes, como na área acadêmica. Enquanto estiver sem emprego, é legal procurar por um curso, uma pós, coisas que mostrem que ele não está parado”. É o que aconselha Danylo Hayakawa, gerente da divisão de Finanças e Contabilidade da Robert Half, empresa da área de RH. Para ele, a maior dificuldade para alguém que está na posição de Da Mata é a questão do tempo, “que corre contra o candidato”.

“O problema é que às vezes não consigo me fazer entender pelos outros. Falo que mesmo sem experiência, quero aprender e estou disposto a dar duro, mas às vezes isso não vale para eles [os entrevistadores]”, explica Da Mata.

Uma das soluções sugeridas por Hayakawa é que o candidato aposte mais na sua apresentação profissional. “O currículo é o cartão de visitas do entrevistado, ele tem que ser direto e objetivo, deve focar no que for mais relevante”, comenta.

Detalhes como frases muito longas, informações escritas em parágrafos, um histórico completo desde o início da carreira e mais do que duas páginas impressas estão na lista de coisas a se evitar na hora de montar o documento. Afinal, “quantidade não é qualidade”.

A hora da entrevista também é um momento importante para se prestar atenção. Da Mata afirma que não possui dificuldades em lidar com uma dinâmica em grupo, mas que prefere entrevistas individuais, nas quais fica cara a cara com os entrevistadores.

Mas nem todo mundo compartilha da mesma tranquilidade. Hayakawa ajuda: “Transparência, energia do candidato, postura, brilho no olho e interesse”, é isso que faz a diferença. Uso de jargões e discursos montados sempre soam muito artificiais, fica fácil descobrir quando acontece “uma vendida a mais do que ele [o entrevistado] realmente é”.

“Clareza e honestidade ao passar as informações e tomar cuidado com o tempo, não falar demais”, também funcionam. O que mais vale é colocar a busca pela vaga em 1º lugar e ter a confiança suficiente de que você está apto a assumi-la.