A Uber vem passando por uma semana difícil nos Estados Unidos. A empresa se tornou alvo de comentários negativos por causa de sua atitude no dia de um protesto anti-Trump.

Após o atual presidente americano assinar um decreto que suspende o programa de admissão de refugiados e veta a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana "com tendências de terrorismo", foi organizada uma grande manifestação no aeroporto internacional JFK, em Nova York, no dia 28 de janeiro.

Em apoio ao protesto, taxistas se recusaram a buscar pessoas no aeroporto, manifestando a sua decisão pelo Twitter. "Os motoristas têm solidariedade aos milhares protestando contra o inumano e inconstitucional banimento de muçulmanos", escreveram:

A conta da Uber de Nova York, por sua vez, foi à rede social para avisar que seus preços tinham caído, o que muitas pessoas interpretaram como uma atitude oportunista. Como o The New York Times e o The Guardian observaram, a empresa fez esse anúncio pouco tempo após o protesto: ele estava marcado das 18h às 19h (horário local), e o tweet foi feito meia hora depois:

Logo a hashtag #DeleteUber ganhou força, incitando cerca de 200 mil usuários a excluírem o aplicativo, segundo o Independent. A empresa voltou ao Twitter para dizer que de forma alguma era a favor de Donald Trump, e até mudou o seu e-mail de cancelamento de conta para se esclarecer:

Tradução: "Oi, (usuário),Você é um cliente valioso, então estamos tristes por vê-lo ir embora. Para deletar a sua conta, clique aqui (este link é válido por sete dias.) Nós gostaríamos de informar que a Uber compartilha das suas visões sobre o banimento de imigração: é injusto, errado e contra tudo aquilo que nós defendemos como empresa. Se você quiser saber mais, clique aqui".

No mesmo dia do protesto, o CEO da Uber, Travis Kalanick, compartilhou em sua página oficial do Facebook um e-mail que mandara aos seus funcionários. Com o título "defender o que é certo", o empresário fala sobre como a política anti-imigração de Trump é errada. E no final, explica que em dezembro de 2016 decidiu participar do grupo de aconselhamento econômico do presidente americano para "dar voz aos cidadãos". "Nós fazemos parcerias ao redor do mundo otimisticamente, na crença de que se manifestando e se engajando, podemos fazer a diferença", ele escreveu. "Entendo que muitas pessoas tanto interna quanto externamente podem não concordar com a minha decisão, mas tudo bem. A mágica de se viver nos Estados Unidos é que as pessoas são livres para discordar".

Muitos funcionários da Uber foram contra Kalanick – especialmente após o veto à imigração. Com os ânimos exaltados por causa da hashtag #deleteuber, o The New York Times reportou que a empresa fez uma reunião em sua sede, na qual o CEO foi muito questionado. O resultado: a saída do empresário do conselho econômico de Trump. "Participar do grupo não era para ser um apoio ao presidente ou às suas pautas, mas infelizmente, isso foi interpretado exatamente dessa maneira", Kalanick escreveu em um e-mail enviado aos seus funcionários.