Moradores do Jardim Gaivotas, localizado na zona sul da cidade de São Paulo (SP), denunciam que o bairro — que tem 24,7 mil moradores — não conta com nenhuma creche pública para atender as cerca de 2 mil crianças de até seis anos que residem na região.

Por se tratar de uma área de proteção de manancial, a comunidade muitas vezes esbarra nas leis ambientais, ou mesmo no descaso do poder público, quando reivindica melhorias para o bairro, de acordo com o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro, Elito Gonçalves Dias.

“As mães enfrentam dificuldades por não terem onde deixar seus filhos na hora de saírem para trabalhar. Algumas conseguem assistência de uma creche particular, mas o salário já é pouco e ainda tem pagar para olhar a criança. Fica difícil”, conta Dias, morador do bairro há 23 anos.

No Jardim Gaivotas, funcionam duas creches particulares. Mesmo assim, o presidente relata que não é fácil conseguir uma vaga, já que a demanda é grande. A creche pública mais próxima está localizada no Céu Navegantes, há mais de 1,5 quilômetros da região. Outra fica no Parque Cocaia, há 1,6 quilômetros.

A educadora popular, Marlene Celestino Dantas, salienta que também é necessário pensar na qualidade, se uma possível creche fosse instalada. “Já trabalhei em uma conveniada com a prefeitura, mas as crianças ficavam muito fechadas. Quando viam a rua, precisava ver a felicidade delas”, afirma.

De acordo com Dias, o aprendizado das crianças que estão fora das creches fica prejudicado, já que elas terão acesso à escola somente a partir dos seis anos. “Ainda, tem criança que vai para a escola apenas com sete ou até mais por falta de vaga. Elas acabam perdendo muita coisa.”

Há quatro anos, foi organizado um abaixo-assinado para pedir creches para o bairro, mas nada foi feito. Dias garante que também tem tentado dialogar com o poder público. “Aonde posso, falo da situação, com vereadores, na Alesp [Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo]. As crianças precisam crescer no caminho da escola e do esporte. Estamos lutando por isso.”