Não são poucos os buracos que encontramos nas calçadas quando andamos pela rua. Feitas de concreto, elas racham e se desgastam facilmente, exigindo que um grande esforço seja voltado para sua manutenção. Uma descoberta de cientistas holandeses pode, contudo, mudar esse panorama: um tipo de concreto que se conserta sozinho.

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Separadas em pastilhas, bactérias e alimentos só se misturam quando o concreto racha e a água entra

Trata-se de um bioconcreto com bactérias internas que podem preencher pequenas rachaduras e buracos. Ativadas por água, elas se alimentam de uma mistura de cálcio, oxigênio e dióxido de carbono, que podem ser encontrados na mistura do concreto, para produzir um tipo de calcário.

Henk Jonkers, um dos cientistas envolvidos no projeto, explica que a água é uma ameaça para a estabilidade do concreto, porque entra nas rachaduras e leva produtos químicos agressivos com ela. Considerando que as bactérias internas necessitam de água para começar seu trabalho, a solução, segundo ele, é um ajuste natural.

Para encontrar bactérias que suportassem o ambiente de pH elevado do concreto, os cientistas pesquisaram em lagos “ácidos” da Rússia e do Egito. Além disso, era necessário que elas pudessem permanecer dormentes por anos sem morrer. Para mantê-las longe da fonte de alimentação até que seja necessário, os holandeses separaram bactérias e alimentos em pastilhas pequenas, que só são ativadas quando a água toca o concreto rachado.