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Segundo pesquisa, após 30 anos respirando o ar da marginal, paulistano sofre os mesmos danos que um fumante leve

Segundo pesquisa divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira, 5, respirar o ar da capital paulista por duas horas no trânsito equivale ao consumo de um cigarro. Consequentemente, após 30 anos, o pulmão de um paulistano pode sofrer o mesmo desgaste de um fumante leve - que consome até dez cigarros por dia.

A pesquisa inédita, feita para comparar a exposição à poluição do ar om os efeitos do cigarro, analisa os corpos que foram levados ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) para medir a quantidade de carbono no pulmão.

Na entrevista, a bióloga Mariana Veras, do Laboratório de Poluição do Ar da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), explica os males causados pela emissão de gás carbônico, que afeta milhões de pessoas. "Antigamente, quando em uma necropsia a gente via um pulmão cheio de carbono, preto, o mais provável é que se trataria de um fumante. Hoje não dá para dizer isso. E o que esse estudo está mostrando é o quanto respirar o ar de São Paulo é equivalente a fumar e tem impacto cumulativo".

Qualidade de vida 

Para obter os diagnósticos, entrevistas feitas com parentes ajudam a compor o quadro da exposição dos paulistanos à poluição. Questões como onde o paciente passou a maior parte da vida, atividade profissional, tempo no trânsito, se fumava, ou não, são levada em consideração.

Durante a pesquisa, pelo menos 2 mil pulmões foram avaliados e cerca de 350 selecionados foram separados para estudo – são os que contam com entrevistas mais detalhadas.

As vítimas da poluição 

Segundo a ONU Meio Ambiente e a Organização Mundial de Saúde, cerca de 7 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência de poluição do ar (e metade é interna, como a de fogões a lenha e aquecimentos caseiros a carvão). Ainda de acordo com a ONU, mais de 80% das cidades têm níveis nocivos de poluição.

A análise de São Paulo aponta que os níveis de partículas finas inaláveis (material particulado ou MP 2,5) está 90% acima dos níveis seguros, de 10 microgramas/m³. A concentração média anual da cidade é de 19 microgramas/m³. A ONU Meio Ambiente elegeu o combate à poluição como principal ação para se atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável e no combate às mudanças climáticas.

"A poluição é o problema que está mais perto das pessoas. Elas sentem, respiram, é imediato. É mais provável ter impacto sobre a vida das pessoas enquanto andam ou fazem compras do que as mudanças climáticas. É uma das coisas que mais matam hoje no mundo", disse ao Erik Solheim, diretor executivo da ONU Meio Ambiente, durante a Conferência do Clima das Nações Unidas, na Alemanha, em novembro. "Por outro lado, tudo o que se faz para reduzir a poluição também é benéfico no combate às mudanças climáticas". Para saber mais sobre o assunto, confira a reportagem completa no site do jornal Metro.