Na década de 1960, auge da corrida armamentista que impulsionava a Guerra Fria, a sociedade já havia presenciado diversos conflitos “solucionados” com o uso de força bélica. Tanto os humanos quanto as demais criaturas que habitam o planeta sobreviveram (ou sucumbiram) às batalhas por poder político e econômico.

A Terra, palco para tal embate, também sofria as consequências. Contudo, os que lutavam por melhorias e paz se organizavam em meio ao conflito. Entre os movimentos que nasciam do ventre da resistência surgiu aquele que detinha o “coração verde”: A jardinagem de Guerrilha.

Em Nova York, uma artista decidiu unir suas noções de cor e composição, aliadas a conceitos de botânica, para criar jardins comunitários. Liz Christy fundou o “Green Gerillas” - conhecido também como “Guerrilhas Verdes” - e decidiu cultivar áreas verdes em terrenos abandonados. Na época, o local era preservado apenas por pessoas que haviam se juntado à causa de Christy, contudo o espaço agora passou a ser protegido pelo departamento de parques da cidade.

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As bombas são feitas com argila, sementes e água

O movimento se espalhou pelo mundo e novas guerrilhas se formaram em países como Austrália (Permablitz), França (Guérilla Gardening Paris) e Brasil (Jardinagem Libertária). Mas foi no Japão que surgiu a principal arma dos "soldados": a bomba de sementes. Masanobu Fukuoka, filósofo e agricultor japonês, baseou sua jardinagem no contato com a o meio ambiente sem que esse resultasse no intervenção dos ciclos naturais. Ele optou por não utilizar agrotóxicos e nem mesmo retirar ervas daninhas de suas plantações.

Fukuoka saiu de seu país e foi ajudar outras nações a se recuperarem de impactos causados por desmatamento. Somália, Índia, Tailândia e Grécia tiveram seus solos alimentados pelas sementes de Masanobu. O agricultor ganhou o “Magsasay” de 1998, considerado o Prêmio Nobel da Paz do oriente.

Arme-se para a guerra verde

Veja o vídeo com a receita básica para fazer suas próprias “granadas de sementes”: