Depois de cinco anos dedicando-se à escrita e apuração do primeiro livro, a poeta Lâmia Brito, de 29 anos, lança, no próximo dia 6 de julho às 19h30 na Casa Elefante a obra “Todas as Funções de Uma Cicatriz”. A entrada é gratuita e o microfone aberto. Um trecho do livro também está disponível para download.

Créditos: arquivo pessoal

Pixos espalham poesias nas ruas de São Paulo

A obra independente e com 70 páginas traz muito da história da autora, que em um mosaico, reconstrói e narra a própria vivência por meio dos poemas. Autobiográfica, foge do comum na cena dos saraus e slams, de onde vem a autora: a poesia obrigatoriamente de militância e causas e parte para um lado humano mais subjetivo – o de sentimentos que tecem o que somos e o que fazemos com isso.

Inspirada por poetas como a portuguesa Matilde Campilho, a indiana Rupi Kaur e os brasileiros Sin, Luiza Borba, Pedro Bomba, entre outros, o primeiro volume de Lâmia Brito, que capta os leitores pela identificação com os machucados e cicatrizes. No livro, que sai em parceria com  selo doburro, ela faz da literatura o antídoto para as próprias dores. Livro traz prefácio de MC Sant, orelha de Sin e contra-capa de Ricardo Lísias.

“Toda a minha trajetória é permeada de cicatrizes. As físicas eu vejo sempre e sinto todas, e também sinto que cada uma delas tem um papel importante na construção da pessoa que sou hoje. porém, são as cicatrizes que eu não vejo que me transformaram. em todos os meus textos eu trago um pedaço da minha história e cada texto é um machucado – aberto, cicatrizando ou passado. Se realmente existe uma função pra essas cicatrizes, eu as coloquei no papel pra que a vida não fosse tão dura, pra expor a carne que a pele fechou, pra reintegrar razão e sentimento – motivo de vários cortes – pra me lembrar que marcas são exatamente isso: lembranças”, contou a autora.

Além do livro, Lâmia Brito também marca presença com trechos de poesias em pixos espalhados por São Paulo e também com vídeo poemas na internet.

O evento de lançamento terá música com Nina Oliveira e Pedro Mansa, bem como sarau apresentado por Daniel Minchoni e poetas convidados como Victor Rodrigues, Cris Rangel, Janaína Moitinho, Samuel Luis Borges e André Pereira.

Créditos: Arquivo pessoal

Lâmia Brito usou as próprias dores para criar livro de poesias

Sobre a autora
Lâmia Brito nasceu no outono de 1988, em São Paulo (SP). É geminiana, apaixonada por poesia e pela cultura hip-hop. Recentemente, descobriu-se também apaixonada por medicina chinesa.

Usa das letras e da massoterapia como forma de cura: de si e do próximo. Coleciona cicatrizes e todas as suas funções. Aqui, expõe o próprio coração em forma de livro, que levou cinco anos para sair do corpo e ganhar as páginas.

 Formada em letras pela universidade Mackenzie, estuda também artes visuais e é produtora do Projeto Livrar, que distribui livros de autores marginais e periféricos em shows do rapper carioca MC Marechal.

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Jéssica Balbino é jornalista, mestre em comunicação pela Unicamp, dirigiu o documentário 'Pelas Margens: vozes femininas na literatura periférica'. Editora do Margens.

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