Desde terça-feira, 13 de novembro, os estudantes das PUC-SP paralisaram as atividades. No dia 21 de novembro a AproPUC (Associação dos Professores da PUC-SP) decretou greve geral. As mobilizações são uma resposta à decisão da Fundação São Paulo - órgão mantenedor da Universidade, ligado à igreja católica - de preterir a candidatura do reitor escolhido em eleições diretas, Dirceu de Mello. O decreto do cardeal arcebispo de São Paulo Odilo Scherer, grão-chanceler da instituição, nomeou a professora de Letras Anna Cintra, terceira mais votada (última colocada), para o cargo de reitora.

PROGRAMAÇÃO

 Segunda / Terça / Quarta 

Segundo professores que não quiseram se identificar por medo de retaliação, o RH da universidade tem entrado em contato com os departamentos para saber os nomes dos professores que aderiram à greve, numa espécie de ameaça de demissão. As fontes também alegam  que a Fundação enviou um e-mail institucional dizendo que a paralisação é ilegal e vai influenciar no 13º salário. Há que diga ainda que já existe inclusive um lista de "demissionáveis", que vem crescendo conforme os professores se manifestam publicamente.

Em nota, a Fundação alega que "os movimentos de greve são isolados e não representam o interesse de toda comunidade universitária". A instituição também se defende dizendo que "A Fundação São Paulo reforça que a nomeação da nova reitora Anna Maria Marques Cintra, foi feita pelo cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, grão-chanceler da instituição, com base numa lista tríplice, após consulta pública à comunidade universitária, conforme estabelece o estatuto da PUC-SP". Em relação a uma possível intimidação por parte do RH a Universidade não se pronunciou.

Programação

Depois de promover cadeiraços, passeatas e assembleias, alunos e professores começam a agora a organizar atividades que promovem a reflexão sobre o embate que a universidade atravessa. Serão palestras debates e até mesmo uma passeata poético-política com personalidades emblemáticas para a história da conquista da democracia nas universidades brasileiras.

Uma história de lutas e conquistas

O confronto entre estudantes e as forças do regime militar (1964-1985) na PUC-SP foi um marco no processo de redemocratização do país. Na noite de 22 de setembro de 1977, o campus Monte Alegre foi invadido pela Polícia Militar paulista. O III Encontro Nacional de Estudantes (ENE), realizado ali naquela tarde, foi utilizado como pretexto para a invasão. O ENE havia sido proibido pelo governo, e sua realização já havia sido impedida em Belo Horizonte e no campus da Universidade de São Paulo (USP).