Eles não são uma companhia de dança, mas sim uma associação. Rejeitam a ideia de grupo e exaltam a

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Créditos: Integrandes da Tombo

Integrandes da Tombo

proposta de múltiplas colaborações. Dona de uma curta porém ativa trajetória, a Associação Desaba, encabeçada pelos bailarinos e coreógrafos Cristian Duarte, 35, e Thelma Bonavita, 45, apresenta na Galeria Olido o espetáculo "Tombo", que depois segue para o Teatro de Dança no dia 19.

Com participação de Thiago Granato, o trabalho tem uma história nada ortodoxa, iniciada em 2008, ano em que a dupla fez uma série de criações. Amigos e parceiros desde que trabalharam juntos na Nova Dança, nos anos 90, Duarte e Bonavita reeditaram o duo em 2007, a convite do Itaú Cultural.

Apresentaram "Show: sobre o que a Gente Vê (Volume 1)" e rodaram os palcos com "Eletro-Químicos, Baby" e "Pocket Show". A profícua produção lhes rendeu o APCA de pesquisa em dança. "A associação é um guarda-chuvas que abarca diferentes projetos e colaborações, tudo em busca de um ambiente propício para diferentes produções", diz Bonavita. Em "Tombo", a dupla exercitou ao máximo a ideia de colaboração. Promoveram palestras em espaços como a Casa Modernista e o planetário do parque Ibirapuera, em torno de temas como moda e conhecimento. Filmaram tudo e colocaram o resultado na web (www.desabablog.org).

Processo de criação

Depois fizeram seleção para uma residência propondo que os interessados criassem perfis falsos sobre eles mesmos, a partir de um formulário reformulado para visto de entrada no Brasil. Atraíram 57 inscritos de diferentes áreas, como moda e artes plásticas, para dez vagas.

Os escolhidos ganharam bolsas de R$ 500 para estudar e refletir durante uma semana com Bonavita, Duarte e convidados (o espetáculo foi contemplado pela Lei de Fomento à Dança, com R$ 140 mil).

"Tudo, inclusive a biografia falsa e as palestras, já faz parte de um processo de criação. Essa residência nos ajudou a pensar em ferramentas para criação do trabalho", diz Bonavita. Por fim, junto de Thiago Granato, a dupla se enfurnou durante dois meses numa sala, partindo para o espetáculo em si. A proposta de "Tombo" não é nada modesta: eles querem que a plateia descubra novos modos de ver a dança.

"Queremos oferecer uma nova percepção. Mostramos um corpo que produz ambivalência ao se mover, para que a plateia olhe para imagens familiares de uma forma inaugural", diz Duarte, que, assim como Bonavita, prefere não revelar o que acontece exatamente em cena. "É uma movimentação ambivalente, que oferece novas visões para a dança."

Adriana Pavlova
Folha de S.Paulo