Quando ainda planejávamos a nossa viagem pelo mundo, o Alê me perguntou qual país que, em minha opinião, não poderia ficar de fora. Minha resposta foi a Nova Zelândia e, em especial, a caminhada Milford Track, que dura quatro dias e é considerada uma das mais bonitas do mundo.

Tentamos fazer a nossa inscrição para realizar a caminhada seis meses antes de a viagem começar, mas, na ocasião, não conseguimos fazer, pois não existia mais vaga na temporada seguinte. Por ser tão famosa, as vagas para a caminhada são muito deputadas (saiba todos os detalhes para a inscrição em breve). O jeito foi deixar a Nova Zelândia para o final da viagem e torcer para conseguirmos uma vaga quando as inscrições para a próxima temporada abrissem.

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Créditos: milford-track-geral

A caminhada Milford Track tem 55 km é feita por entre os fiordes em uma mata completamente preservada

Foi o que fizemos, apostamos nisso mesmo sabendo que talvez o dinheiro não desse para continuarmos viajando até o final do ano. Mas ainda bem que esperamos para vir, mesmo atrapalhando todo o nosso percurso, com o trajeto que fizemos dando praticamente um nó no mundo em vez de uma volta ao mundo. A Nova Zelândia é simplesmente incrível, com paisagens sem igual. A caminhada, portanto, não podia ser diferente… e não foi.

Após termos a inscrição feita e a mala arrumada (veja o que levar em breve), demos uma pausa na tecnologia e adentramos em um território esplêndido para passarmos os próximos quatro dias.

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Créditos: mari-e-kea

 

Entramos na trilha um pouco preocupados, pois a previsão para os próximos dias era de chuva e neve e, assim que o barco parou na entrada da trilha para descermos, os primeiros pingos surgiram. Entretanto, logo pararam e, apesar de chover o segundo dia inteiro, pegamos também dias firmes e até céu aberto.

A caminhada foi de 55 quilômetros por entre os fiordes, em uma mata completamente preservada. O DOC (departamento de conservação da Nova Zelândia) controla e cuida do local e apenas 40 pessoas por dia tem permissão para percorrer a trilha.

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Créditos: hut

Vista das cabanas para se hospedar durante a trilha

Todo o percurso é demarcado por uma trilha de terra batida, pedrinhas e pontes que atravessam rios e cachoeiras. Cada pessoa realiza a caminhada ao seu tempo, não existe um guia que leva o grupo (nem precisa disso), apenas um guarda florestal do DOC em cada cabana, que conta um pouco sobre a fauna e flora da região e sobre o percurso do dia seguinte e a previsão do tempo.

Por serem quatro dias de caminhada, existem três cabanas para se hospedar pelo caminho (que são reservadas no momento da inscrição). Cada cabana (HUT, como são chamadas), tem quartos com beliches e uma cozinha que, durante a temporada é equipada com fogão e água encanada. Também tem banheiros nos huts, aliás, por toda a trilha tem. Só não tem mesmo chuveiro. Se quiser tomar banho, só se for de rio, mas precisa estra preparado, as águas são muito geladas, já que descem dos topos das montanhas, que ficam cobertos de neve. Tudo o que você vai usar é preciso levar, como saco de dormir, panelas roupas e comidas. Assim como é preciso carregar todo o lixo que produzir durante os dias.

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Créditos: topo

Todo o percurso é demarcado por uma trilha de terra batida, pedrinhas e pontes que atravessam rios e cachoeiras

Os cenários que encontramos pelo caminho fizeram jus à fama de uma das caminhadas mais bonitas do mundo. As cores, as texturas das plantas, os pássaros passeando e cantando bem pertinhos, as montanhas cobertas de neve… Tudo isso dissolve qualquer cansaço, seja ele pela extensão da trilha, ou pelo peso carregado na mochila.

Além da caminhada, na Milford Track existe a possibilidade de conhecer pessoas do mundo inteiro, já que as mesmas pessoas dividem a mesma experiência e áreas comuns por quatro dias. Nós conhecemos pessoas bem interessantes e animadas, que tornaram a vivência ainda mais especial.

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Créditos: rio

 

Confira como foi cada dia da caminhada aqui: (dia 1dia 2dia 3dia 4). Com certeza valeu a pena todo o esforço que fizemos para reservar a Milford Track, pois cada passo compensou pela beleza e pureza da natureza.

Relato por Mariana Carneiro, do blog Uma Pitada de Mundo