Jornada do Acolhimento
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Por que é importante falar sobre a saúde mental da população LGBTQIA+ no ambiente de trabalho?

Transtornos mentais se tornaram ainda mais comuns entre pessoas LGBTQIA+ durante a pandemia; veja como as empresas podem acolher esse grupo

Por: Oferecimento Janssen

A pandemia afetou a vida de toda a população, mas grupos sociais que já eram vulneráveis foram impactados de forma mais acentuada. Uma pesquisa da #VoteLGBT, em parceria com a Box1824, revelou que 55% da comunidade LGBTQIA+ teve piora na saúde mental durante o período.

Já segundo a Aliança Nacional LGBTI, nesse cenário, o desemprego pode chegar a 40% entre o grupo LGBTI e a 70% para pessoas trans.


Uma pesquisa da #VoteLGBT, em parceria com a Box1824, revelou que 55% da comunidade LGBTQIA+ teve piora na saúde mental durante o período
Crédito: Reprodução | JanssenUma pesquisa da #VoteLGBT, em parceria com a Box1824, revelou que 55% da comunidade LGBTQIA+ teve piora na saúde mental durante o período

Além do desemprego, a saúde mental das pessoas LGBTQIA+ foi ainda mais atingida por violências, sejam elas físicas ou psicológicas, e pela falta de aceitação e acolhimento no ambiente de trabalho.

“Quem já estava vulnerável em relação a aspectos psicológicos teve uma piora em seu quadro, como as populações minorizadas e marginalizadas. E isso vai colaborar para que haja um aumento nos transtornos, como depressão e ansiedade, junto da situação da covid-19 que é muito estressante por si só”, afirma a psicóloga Karen Scavacini, presidente do Instituto Vita Alere de prevenção e posvenção do suicídio.

De acordo com o Dr. Jair Mari, professor titular e chefe do Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), com o isolamento, as diferenças sociais da comunidade LGBTQIA+ se tornaram ainda mais preocupantes, pois agravou a situação econômica e distanciou a possibilidade de apoio psicológico frequente.

“Devido ao preconceito, essas pessoas podem desenvolver um transtorno psiquiátrico e estão mais vulneráveis a serem vítimas de violência em seu cotidiano”, diz o psiquiatra da Unifesp.

Como acolher no ambiente de trabalho

Em meio ao cenário acima exposto, criar um ambiente de trabalho mais acolhedor para a população LGBTQIA+ deveria ser primordial para as empresas.

De acordo com o Dr. Jair Mari, para promover esse local positivo é necessário estabelecer dois passos: primeiro, a inclusão, ou seja, não excluir candidatos deste grupo, seja por sua identidade de gênero ou orientação sexual, e promover equidade de oportunidades para essas pessoas dentro das organizações; e segundo, garantir abertura para que o funcionário tenha espaço para compartilhar emoções e falar o que sente para seus colegas.


Criar um ambiente de trabalho mais acolhedor para a população LGBTQIA+ deveria ser primordial para as empresas
Crédito: Reprodução | JanssenCriar um ambiente de trabalho mais acolhedor para a população LGBTQIA+ deveria ser primordial para as empresas

“Isso tudo deve servir para todas as esferas da vida. Para a empresa, a família, porque essas pessoas, muitas vezes, levam consigo um sofrimento muito grande além de um forte medo de rejeição. É fundamental que os valores da empresa possam contribuir para a aceitação do indivíduo”, reitera o psiquiatra.

Como mostra o professor, se a pessoa conseguir autonomia econômica, sem conviver com bullying, preconceito e rejeição, estaremos desenvolvendo a possibilidade de ela não ter que partir para a marginalidade da sociedade.

Segundo o guia “Depressão: como acolher no ambiente de trabalho”, idealizado pela Janssen, uma possível ação de acolhimento é a criação de comitês de diversidade, equidade e inclusão para abordar pautas com diversos recortes, como questões raciais, LGBTQIA+, de pessoas com deficiência ou 50+.

“Empresas com políticas afirmativas para a comunidade LGBTQIA+ podem ser um espaço seguro para uma vivência plena de sua existência e servir de suporte a sua saúde mental”, pontua o material.

A psicóloga Karen Scavacini sugere outras ações de inclusão e acolhimento, como ter pessoas LGBTQIA+ em cargos de liderança, oferecer benefícios voltados à saúde mental para os funcionários e seus cônjuges, promover ações educativas pela diversidade e criar uma ouvidoria para casos de assédio e discriminação, junto de uma política de enfrentamento a essas situações.

“As empresas podem e devem entrar nessa conversa. Espero que as companhias de ponta e contemporâneas possam puxar toda essa mudança de cultura e a oferta de espaços mais acolhedores”, reitera a especialista.


Algumas empresas já estão percebendo que, não basta apenas ter profissionais LGBTQIA+ em seus quadros, mas é preciso ter uma política de inclusão que garanta que todos sintam-se pertencentes e com igualdade de oportunidades
Crédito: Reprodução | JanssenAlgumas empresas já estão percebendo que, não basta apenas ter profissionais LGBTQIA+ em seus quadros, mas é preciso ter uma política de inclusão que garanta que todos sintam-se pertencentes e com igualdade de oportunidades

Para Gabriela Augusto, especialista em diversidade e inclusão e diretora da Transcendemos Consultoria, algumas empresas já estão percebendo que, não basta apenas ter profissionais LGBTQIA+ em seus quadros, mas é preciso ter uma política de inclusão que garanta que todos sintam-se pertencentes e com igualdade de oportunidades.

“Tenho recebido muitas demandas de organizações que estão buscando implementar um pacote de benefícios para esse grupo, com apoio jurídico para mudança de nome, acompanhamento psicológico e várias outras ações”, afirma Gabriela.

“O mercado já entendeu que não basta só fazer webinar sobre saúde mental para que as pessoas tenham condições de viver uma vida digna. Para que os resultados sejam consistentes, é imprescindível desenvolver ações em várias frentes”, pontua a diretora da Transcendemos.

Comunidade LGBTQIA+ nas empresas

Para Karen Scavacini, as empresas precisam, antes de tudo, saber que têm funcionários LGBTQIA+, pois muitas vezes nem olham para essas questões. “O trabalho pode ser um local muito seguro para essa população para ajudar a diminuir estigma e preconceito, mas, se o ambiente é conservador, acabará como mais um local de violência.”

Muitas pessoas desse grupo acabam não tendo cargos mais altos de liderança, enquanto outras nem concluem os estudos. “Há ainda aquelas que, quando chegam ao trabalho que almejam, começam a esconder que são LGBTQIA+ por medo de perder o emprego”, complementa a psicóloga.

Gabriela defende ainda que é imprescindível que saúde mental e segurança psicológica caminhem juntas. “Mesmo que uma empresa contrate várias pessoas trans para um time de marketing, por exemplo, elas não poderão contribuir se tiverem medo de expressar suas opiniões ou não se sentirem parte da organização.”


Gabriela Augusto, especialista em diversidade e inclusão e diretora da Transcendemos Consultoria, defende que é imprescindível que saúde mental e segurança psicológica caminhem juntas. “Mesmo que uma empresa contrate várias pessoas trans para um time de marketing, por exemplo, elas não poderão contribuir se tiverem medo de expressar suas opiniões ou não se sentirem parte da organização”
Crédito: Reprodução | JanssenGabriela Augusto, especialista em diversidade e inclusão e diretora da Transcendemos Consultoria, defende que é imprescindível que saúde mental e segurança psicológica caminhem juntas. “Mesmo que uma empresa contrate várias pessoas trans para um time de marketing, por exemplo, elas não poderão contribuir se tiverem medo de expressar suas opiniões ou não se sentirem parte da organização”

O Dr. Jair Mari enfatiza que um ponto crucial nessa conversa é a sociedade entender que ser LGBTQIA+ não é um transtorno mental. Da mesma forma, uma pessoa que faz parte desse grupo, assim como todas as outras, também pode ter um problema de saúde mental, como depressão e ansiedade, por exemplo.

No entanto, é preciso considerar que essa comunidade está mais vulnerável a desenvolver traumas por conviver diariamente com experiências negativas, como a rejeição por parte da família e o enfrentamento social.

“Se uma pessoa LGBTQIA+ desenvolve depressão, deve ser diagnosticada e compreendida. E, nesse cuidado, ela acaba tendo que vencer outro preconceito, que é aquele contra a doença mental, para buscar tratamento adequado e melhorar”, mostra o médico.

Ainda de acordo com o guia “Depressão: como acolher no ambiente de trabalho”, para que as pessoas com depressão se sintam acolhidas, é preciso criar um clima de empatia, escuta ativa e compreensão. Ou seja, no qual elas sejam ouvidas sempre e estejam livres de julgamentos.

Apesar disso, o psiquiatra acredita que a sociedade hoje está muito mais aberta a reconhecer e falar sobre saúde mental, e caminhando para uma maior aceitação do grupo LGBTQIA+, inclusive dentro das empresas.

“É importante essa evolução, de perceber que no trabalho o que importa é o comportamento ético e a produtividade, e que a capacidade de alguém não está atrelada a sua orientação sexual ou identidade de gênero”, conclui.

Gabriela endossa que este acolhimento precisa ser real e só dessa forma é possível construir um ambiente mais diverso e respeitoso. “Isso começa com um mapeamento baseado em autodeclaração para entender quais colaboradores são LGBTQIA+, negros, com deficiência e de outros grupos subrepresentados para, em seguida, realizar uma análise criteriosa da cultura organizacional e, aí sim, propor ações para construir um mercado de trabalho mais justo”, explica.

Ampliar o conhecimento sobre saúde mental é essencial para que as pessoas consigam identificar quando precisam de ajuda e saibam mais sobre os diferentes tipos de condições e tratamentos, rompendo os tabus que permeiam o assunto
Crédito: Reprodução | JanssenAmpliar o conhecimento sobre saúde mental é essencial para que as pessoas consigam identificar quando precisam de ajuda e saibam mais sobre os diferentes tipos de condições e tratamentos, rompendo os tabus que permeiam o assunto

Movimento Falar Inspira Vida

Ampliar o conhecimento sobre saúde mental é essencial para que as pessoas consigam identificar quando precisam de ajuda e saibam mais sobre os diferentes tipos de condições e tratamentos, rompendo os tabus que permeiam o assunto.

Atenta à grande demanda de falar sobre o tema, a Janssen idealizou o Movimento Falar Inspira Vida, que conta com a participação da Vitalk e Instituto Vita Alere como membros. A coalizão quer promover uma mudança no tom da conversa sobre depressão, contribuindo para uma sociedade que saiba falar e ouvir a respeito da doença, incentivando diálogos responsáveis e livres de julgamentos.

A iniciativa reúne materiais para orientar pessoas com depressão, como “Depressão: quando conhecimento e diálogo inspiram a vida”, “Papo reto sobre saúde mental” e o já citado “Depressão: como acolher no ambiente de trabalho”.

Este último material, inclusive, foi desenvolvido para quem também concorda que empatia e acolhimento podem salvar vidas e tornar o ambiente de trabalho ainda mais humano. Além disso, o guia propõe uma abordagem horizontal, entre todos os colegas no ambiente de trabalho, como passo fundamental para o enfrentamento desse desafio.

Isso porque, muitas vezes, os colaboradores com depressão enfrentam a fragilização da autoestima, sentem-se um fardo para todos à sua volta e têm dificuldade de concentração e de realizar as tarefas cotidianas, o que afeta suas relações profissionais. Clique aqui para ler o material na íntegra.