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Vamos falar sobre os impactos do mundo virtual na saúde mental dos jovens?

Segundo estudo da Faculdade de Medicina da USP, uma em cada quatro crianças e adolescentes apresentou ansiedade e depressão durante a pandemia

Por: Publi

A tecnologia se mostrou uma forma efetiva de aproximar as pessoas frente aos desafios do isolamento social. No entanto, essa mudança intensificou problemas de saúde mental causados pelo uso inadequado e excessivo das redes sociais, que podem gerar ansiedade e depressão, especialmente entre os jovens.

Reflexos na autoestima, cyberbullying, sextorsão e desafios perigosos, abuso e opressão no universo gamer são alguns dos assuntos que merecem atenção para evitar prejuízos psicológicos a esse grupo vulnerável.


“A internet tem o poder de servir para interação, aprendizado, solidariedade, diversão, mas também é capaz de potencializar fragilidades que a criança ou adolescente já tem na vida cotidiana”, explica o médico psiquiatra Dr. Fernando Fernandes
Crédito: Reprodução | Movimento Falar Inspira a Vida“A internet tem o poder de servir para interação, aprendizado, solidariedade, diversão, mas também é capaz de potencializar fragilidades que a criança ou adolescente já tem na vida cotidiana”, explica o médico psiquiatra Dr. Fernando Fernandes

Segundo um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), uma em cada quatro crianças e adolescentes apresentou ansiedade e depressão durante a pandemia em níveis clínicos, ou seja, que precisam de intervenção de especialistas. A pesquisa monitorou e analisou a saúde mental de 7 mil participantes de todo o país desde junho de 2020.

Nesse sentido, como o mundo virtual, ainda mais durante a pandemia, impacta a saúde mental dos jovens? De acordo com o Dr. Fernando Fernandes, médico psiquiatra do conselho científico da ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos), a tecnologia é um instrumento como outro qualquer, portanto, pode ser utilizada para o bem e para o mal.

“A internet tem o poder de servir para interação, aprendizado, solidariedade, diversão, entre diversos aspectos positivos, mas também é capaz de potencializar fragilidades que a criança ou adolescente já tem na vida cotidiana”, reitera o especialista.

Por exemplo, um adolescente que é inseguro e está com dificuldades de aprovação entre seu grupo pode ter essas questões agravadas na internet, resultando em baixa autoestima porque a rede social é apenas um recorte da vida de cada um. “Da mesma forma, uma pessoa que tem problemas com bullying, passa a ser vítima do cyberbullying e fica suscetível a ter seu medo potencializado”, explica o médico.

Um adolescente que é inseguro e está com dificuldades de aprovação entre seu grupo pode ter essas questões agravadas na internet, resultando em baixa autoestima porque a rede social é apenas um recorte da vida de cada um
Crédito: Reprodução | Movimento Falar Inspira a VidaUm adolescente que é inseguro e está com dificuldades de aprovação entre seu grupo pode ter essas questões agravadas na internet, resultando em baixa autoestima porque a rede social é apenas um recorte da vida de cada um

A psicóloga Karen Scavacini, presidente do Instituto Vita Alere de prevenção e posvenção do suicídio, enfatiza que a tecnologia ajudou o jovem a manter uma rotina no isolamento social, com as aulas e atividades online, o que é algo benéfico quando falamos de saúde mental. Porém, com o aumento dos índices de ansiedade e depressão, a concentração nos estudos acabou prejudicada.

“Esse panorama veio em decorrência da falta de interação social, receios em relação ao futuro, como primeiro emprego ou entrar na faculdade, além de não poderem encontrar as pessoas e desfrutar das coisas que devem ocorrer na juventude”, mostra. Paralelo a isso, quanto mais tempo o jovem fica na internet, maior a probabilidade de deparar-se com uma violência online, como afirma a psicóloga.

Para a neuropsicóloga Lucy Sposito, especialista em jovens e membro do conselho científico da ABRATA, é inegável o poder da tecnologia em meio à pandemia, mas houve um cansaço tensional, uma vez que ninguém estava preparado para tantas mudanças. “Teve um lado intenso e negativo de se expor demais, de investigar muito a vida do outro, e ainda os julgamentos e críticas. Sem poder sair, o usuário que teve um retorno ruim na rede social ficou ainda mais vulnerável a desencadear quadros de ansiedade e depressão”, revela.

Guia “Papo reto sobre saúde mental”

O debate sobre o tema evidencia a importância de existirem fontes seguras de informação para os jovens que precisam de ajuda. Foi com esse intuito que surgiu o guia “Papo reto sobre saúde mental”, que reúne os aspectos mais importantes para os cuidados com questões psicológicas, com uma linguagem e identidade visual próprias para o público adolescente e jovem.

“O objetivo do guia é falar abertamente sobre o assunto, sem enrolações e uma chamada para a ação: entender os sinais de alerta para buscar auxílio, tanto para si mesmo, como para o outro”, afirma Karen Scavacini, presidente do Instituto Vita Alere de prevenção e posvenção do suicídio
Crédito: Reprodução | Movimento Falar Inspira a Vida“O objetivo do guia é falar abertamente sobre o assunto, sem enrolações e uma chamada para a ação: entender os sinais de alerta para buscar auxílio, tanto para si mesmo, como para o outro”, afirma Karen Scavacini, presidente do Instituto Vita Alere de prevenção e posvenção do suicídio

“O objetivo do guia é falar abertamente sobre o assunto, sem enrolações e uma chamada para a ação: entender os sinais de alerta para buscar auxílio, tanto para si mesmo, como para o outro”, afirma Karen. Segundo a psicóloga, o material lista os maiores desafios que os jovens têm enfrentado, bem como as dúvidas que poderiam ter, trazendo orientações claras e de forma prática.

Além do cyberbullying, cultura do cancelamento e outras práticas comuns, a especialista pontua que os responsáveis pelo conteúdo também começaram a ouvir meninas relatando a opressão dentro do mundo dos gamers. “Decidimos inserir esse tópico porque muitas adolescentes entravam com nomes de rapazes para serem respeitadas nos jogos”, relata.

O guia ainda aborda os discursos de ódio, como de gênero, classe e raça, explicando aos jovens o que são essas violências e o que ele pode fazer se for vítima de alguma delas.

Em relação ao diagnóstico, um cuidado que os especialistas tiveram foi não inseri-los no material, pois o jovem tende a buscar logo um rótulo para o que está sentido. “Decidimos colocar sinais que ele pode ter quando não está legal e qual o momento de pedir ajuda. Nosso intuito sempre foi orientar”, conclui Karen.

Atenção aos alertas

O psiquiatra Dr. Fernando Fernandes apresenta alguns indícios de que a tecnologia tem impactado negativamente a vida de um adolescente. “Primeiro de tudo, se ele estiver perdendo muito tempo e deixando de fazer as atividades diárias, como a socialização fora das telas, encontrar pessoas e praticar esportes, e também as obrigações, como as tarefas da escola e de trabalho”, revela.

Para Karen Scavacini, os pais precisam se aproximar do mundo da tecnologia com o intuito de entender como funciona e conversar com o filho ou filha para saber o que ele gosta de ver online
Crédito: Reprodução | Movimento Falar Inspira a VidaPara Karen Scavacini, os pais precisam se aproximar do mundo da tecnologia com o intuito de entender como funciona e conversar com o filho ou filha para saber o que ele gosta de ver online

Um segundo ponto é entender se a interação com a rede social e a tecnologia é algo que traz ansiedade e baixa autoestima ao usuário, ou se é produtiva, seja para aprender algo novo ou para compartilhar gostos em comum. “Se o saldo for negativo, é hora de pedir ajuda”, alerta. Nesse processo, o diálogo e o apoio da família são fundamentais para dar confiança ao jovem.

Para Karen Scavacini, os pais precisam se aproximar do mundo da tecnologia com o intuito de entender como funciona e conversar com o filho ou filha para saber o que ele gosta de ver online. “Ensinar o jovem a fazer a denúncia, dentro da própria rede social ou pelo canal da SaferNet, é outra ação fundamental para a proteção dos jovens”, sugere.

“Uma questão relevante para os pais é nunca julgar um filho pelo o que ocorre na internet quando ele pedir ajuda. Primeiro, faça o acolhimento, pois o jovem foi vítima de um crime, e, depois, tome providências legais”, explica a psicóloga.

Já no caso da escola, trazer a tecnologia para dentro da sala de aula é uma maneira de complementar a atuação dos pais. “Debater como os estudantes estão usando as redes sociais, listar práticas saudáveis e ensiná-los a navegar com mais segurança. Não podemos falar de educação socioemocional fora do ambiente online, já que o que acontece no mundo virtual vai influenciar sua vida não conectada.”

Uso consciente da tecnologia

Proibir o uso da tecnologia é inviável nos tempos de hoje, por isso, fazê-lo de forma mais consciente pode promover inúmeros benefícios para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos jovens.

Segundo Fernandes, a primeira dica é utilizar essas ferramentas para finalidades saudáveis. “Vamos encontrar pessoas com quem a gente goste de trocar ideia, aprender, criar laços de amizade, encontrar lugares nas redes que melhorem sua autoestima, e não aqueles que geram insegurança. A internet é um instrumento fabuloso para aproximar e dar oportunidades, então isso que precisa ser buscado”, diz.

Proibir o uso da tecnologia é inviável nos tempos de hoje, por isso, fazê-lo de forma mais consciente pode promover inúmeros benefícios para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos jovens
Crédito: Reprodução | Movimento Falar Inspira a VidaProibir o uso da tecnologia é inviável nos tempos de hoje, por isso, fazê-lo de forma mais consciente pode promover inúmeros benefícios para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos jovens

Outro ponto é estabelecer um tempo determinado para utilizar a internet. “Privilegie ações ativas ao usar o celular, e não atividades passivas”, ressalta. Assim como o psiquiatra, Karen reflete que pensar no tempo em que você fica conectado é importante para estabelecer limites. “Desabilitar as notificações pode te ajudar a ser um agente ativo para consumir as informações quando achar necessário.”

Mas, para a psicóloga, não é só o tempo de uso que importa para uma proximidade mais saudável com a tecnologia. “A forma como você se relaciona com o mundo virtual determina o impacto na saúde mental. Como você se sente ao utilizar a internet ou ao seguir certos influenciadores? Como você fica ao se desconectar? Sente ansiedade ou nervosismo?”, questiona.

Karen também mostra que essa consciência crítica sobre o que é consumido online auxilia na identificação de fake news e ainda na busca por ajuda para saúde mental, caso o usuário precise. “O uso saudável tem relação com tomar atitude e denunciar conteúdos prejudiciais que circulam nas redes sociais. É saber o que fazer quando se percebe que alguém está passando por violência”, adiciona.


O game “Jornada do Acolhimento”

Atenta à necessidade de aumentar o diálogo sobre saúde mental e ajudar pessoas com Depressão Resistente ao Tratamento (DRT), o Movimento Falar Inspira Vida criou o game “Jornada do Acolhimento”. O jogo permite aos usuários aprenderem sobre as jornadas dos pacientes com DRT e promover reflexões com o intuito de gerar mudança de comportamento.

Tão importante quanto entender o que representa a Depressão Resistente ao Tratamento é a necessidade de se informar sobre como apoiar pessoas com esta condição. O jogo pretende estimular a busca por ajuda médica sob quatro perspectivas diferentes, de acordo com as jornadas dos pacientes.

Com foco na prevenção ao suicídio e em prol da saúde mental, a “Jornada do Acolhimento” traz a empatia como seu ponto central, pois dá a oportunidade de todos entenderem um pouco sobre como vive uma pessoa que tem Depressão Resistente ao Tratamento.

Além do jogo, o site do movimento traz  conteúdos de seus membros, entre eles o Mapa da Saúde Mental desenvolvido pelo Instituto Vita Alere, com indicações de locais que oferecem ajuda psiquiátrica por meio da plataforma que mostra a geolocalização dos serviços disponíveis. O movimento ainda tem outros membros como o IPq (Faculdade medicina USP), Unifesp, CVV, CDD, Abril, Veja Saúde, Abrata, Vitalk e Hub RH+ .