Resíduos da indústria automobilística viram artigos de moda

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Ensaio fotográfico prova que lixo é a cara do dono

Por: Redação

Quando chegou a Paris para morar durante dois anos, o carioca Rafael Duarte, de 36 anos, levou uma bronca de um vizinho por não ter separado o lixo reciclável do orgânico. Foi a partir desse puxão de orelha que o fotógrafo passou a refletir sobre as coisas que jogava fora – e as pistas que elas davam sobre sua própria personalidade. A partir desse pensamento, criou um projeto chamado iTrash, com o objetivo de mostrar que o lixo é a cara do dono, ou quase isso.

A documentarista Edwige Poret percebeu o quanto bebia a partir da quantidade de garrafas vazias: o lixo é a cara do dono
A documentarista Edwige Poret percebeu o quanto bebia a partir da quantidade de garrafas vazias: o lixo é a cara do dono

Propôs, então, que amigos e conhecidos guardassem seu lixo seco durante duas semanas. Após esse período, seriam fotografados junto com seus dejetos.

Os resultados da experiência foram surpreendentes até mesmo para seus protagonistas. Houve quem identificasse, pelas imagens, hábitos lá não muito saudáveis – e se propusesse a mudá-los com o impacto das fotos.

O percussionista Dhum Neves notou que era um adepto contumaz dos sucos feitos de néctar de fruta
O percussionista Dhum Neves notou que era um adepto contumaz dos sucos feitos de néctar de fruta

O artista plástico Alexandre Cavalcanti, do Leblon, por exemplo, pensava que quase não adquiria produtos industrializados. Quando se deparou com embalagens Tetra Pak de leite na fotografia de seus resíduos, percebeu que as caixinhas eram um escorregão em seu intento de ser um consumidor mais sustentável. Tornou-se, então, mais vigilante com relação à presença desse item em sua dispensa.

O artista plástico Alexandre Cavalcanti achava que não consumia industrializados; foi desmentido pela prova fotográfica
O artista plástico Alexandre Cavalcanti achava que não consumia industrializados; foi desmentido pela prova fotográfica

A quantidade de garrafas vazias de cerveja acumuladas foi o que assustou a documentarista parisiense Edwige Poret. A partir de sua foto ao lado do lixo coletado em duas semanas, ela identificou um estilo de vida bem rock’n’roll, retrato de uma adolescência tardia. Depois desse confronto consigo mesma por meio do que havia descartado, passou a adotar costumes menos juvenis.

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E quem seria o viciado em Coca-Cola na casa? Dica: não é o Pedro, o garoto que aparece na imagem e é filho de João Gevaerd, músico de costas na foto
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E você? Teria coragem de se submeter a esse tipo de autoanálise? Pois saiba que os lixeiros que passam na sua rua podem saber bem mais sobre seus hábitos do que sua própria terapeuta. Afinal, o lixo é a cara do dono.

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Curadoria: engenheiro Bernardo Gradin, especialista em soluções sustentáveis.