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Unicamp ajuda na descoberta de enzima que come plástico

Por: Redação |

Como já diz a música da banda Titãs, as flores de plástico não morrem. E isso, de fato, é um grande problema, dado que toneladas do material se acumulam no planeta – 8 milhões por ano são despejadas nos oceanos. Se a fabricação e o uso desse derivado do petróleo são absolutamente deliberados, às vezes o acaso dá uma mãozinha aos pesquisadores que trafegam na contramão da poluição ambiental: foi assim que se deu o surgimento de uma enzima que come plástico.

A enzima que come plástico foi descoberta por um acaso da ciência
A enzima que come plástico foi descoberta por um acaso da ciência

E até a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) participou dessa descoberta meio fortuita. Explicamos.

Tudo começou no Japão, quando, em 2016, estudiosos do país descobriram uma bactéria chamada Ideonella sakaiensis, que se alimenta do material utilizado na confecção das garrafas PET – o polietileno tereftalato. Acredita-se que uma versão mutante da bactéria tenha se desenvolvido em um lixão, e a enzima responsável pela digestão do plástico foi batizada de PETase.

Recentemente, cientistas da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, em parceria com o Laboratório de Energias Renováveis do Departamento de Energia dos EUA, passaram a estudar a estrutura da enzima. Com o uso de um raio-X muito potente, cujo brilho é 10 bilhões de vezes mais intenso que o do Sol, produziram um modelo tridimensional em altíssima resolução da substância.

Em paralelo, investigadores da Unicamp e da Universidade do Sul da Flórida encontraram similaridades entre a PETase e a cutinase, enzima presente em fungos e bactérias.

Em suas experiências, os pesquisadores de Portsmouth, então, realizaram mutações na PETase para torná-la semelhante à cutinase. Foi aí que perceberam que a nova PETase mutante é ainda mais eficiente na tarefa de decomposição do plástico.

O estudo saiu na publicação científica americana Procedimentos da Academia Nacional de Ciências (PNAS). Parece que, enfim, as flores de plástico poderão descansar em paz – para o bem da saúde ambiental do planeta.

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Curadoria: engenheiro Bernardo Gradin, especialista em soluções sustentáveis.