Bolsonaro elogia assessor que acusa professor de ensinar incesto

Murilo Resende é autor de um ataques mais ofensivos de que se tem notícia contra os educadores:"professores pregam o aborto, incesto e pedofilia"

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

Jair Bolsonaro mostrou confiança em seu diretor do Inep Murilo Resenda, responsável pelo Enem.

Elogios também vieram de seu filho, Eduardo, ao dar conselho aos professores.

Murilo Resende é autor de um ataques mais ofensivos de que se tem notícia contra os educadores brasileiros: “professores pregam o aborto, incesto e pedofilia”.

Essa frase foi dita, em 2016, em audiência pública no Ministério Público Federal,em Goiás, pelo economista Murilo Resende Ferreira, discípulo de Olavo de Carvalho.agora indicado para o estratégico cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais ( Inep), responsável, entre outras coisas, pela prova do Enem.
O ministro Vélez Rodrigues também é discípulo do filósofo Olavo de Carvalho.
A audiência era sobre “Doutrinação Político-Partidária no Sistema de Ensino”, em 2016.
Murilo Rezende é um militante da “Escola Sem Partido”.

Ex-aluno de escola privada, ele afirmou ser “vítima” da doutrinação marxista, atacando a “ideologia de gênero”, que seria um recurso usado por “manipuladores com um objetivo: “esconder a própria falta de preparo”

“Então ideologia de gênero, que hoje é o grande cavalo de batalha desses manipuladores, sim, gente que não quer estudar de verdade, que sequer conhece a literatura, sequer conhece a filosofia.

Murilo foi mais longe: os professores pregariam o aborto, incesto e pedofilia. Mas escondem suas intenções ganhando a a confiança dos pais.

— Não se conta isso para os pais, essa é a farsa de vocês. Vocês falam: ah, é simplesmente uma questão de respeito em relação aos homossexuais. É só isso o que a gente quer ensinar — ironizou.

Mais um ataque:

“O que os professores estão querendo com isso é poder. Um poder que eles querem roubar e sequestrar da família”

Não há nenhuma evidência baseada em fatos consistentes para esses ataques, fruto da teoria conspiratória do “marxismo cultural”.

Nessa teoria conspiratória, um dos responsáveis pela disseminação do “marxismo cultural” seriam os militares.

Em sua visão, o regime militar abriu espaço aos “marxistas” nas universidades e escolas.

— Esse estágio atual que a gente passa na educação brasileira nasceu em muito sentido já no regime militar. Onde a gente viu o regime militar adotar uma famosa tese da panela de pressão, que para contrabalancear a esquerda guerrilheira, a esquerda lá do Araguaia, eles deveriam dar um espaço a esses marxistas dito democráticos, que não tinham aderido à luta armada. E o espaço deles deveria se dar nas escola”.

Mais:

“Com a redemocratização, esse aparelhamento brutal e ditatorial avançou inclusive para lugares como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o MEC. (…) Precisa de uma reforma absurda, completa, para limpar todas essa contaminação ideológica até o ponto em que os professores voltem a se preocupar com a sala de aula, e não só com filosofia da educação, ficar discutindo Paulo Freire e a criança do futuro que será um jovem socialista.

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.