Danilo Gentili ensina como se produzir uma Fake News de sucesso

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

Responda rápido:

Uma pessoa compra na loja um televisor para pagar em 12 vezes.
Mas a loja ainda não enviou ao cliente o boleto de cobrança.
Você chamaria o consumidor de “caloteiro”?
Qualquer criança diria rapidamente: não.
Afinal, ainda não foi feita a cobrança.

Em cima dessa questão, Danilo Gentili deu uma aula de como se produzir uma Fake News de sucesso, capaz de bombar nas redes sociais
É algo a ser ensinado nos cursos de comunicação, marketing e propaganda.
Ele conseguiu convencer seus seguidores que aquele consumidor poderia, sim, ser chamado de caloteiro.
Irritado com um comentário que eu escrevi, ele me chamou de “caloteiro”, dizendo que eu lhe “devia” dinheiro.
Seus fãs passaram a enviar dezenas de milhares de mensagens pedindo que eu pagasse.
Chegaram a colocar o assunto em primeiro lugar no trending topics do Twitter, com a hashtag #dimensteinpagaogentili.
Junto vieram centenas de memes.


Mas ninguém sabia quanto eu “devia” e nem viram prova de cobrança.
Tudo não passava de uma Fake News fácil de ser comprovada.
A história é bem simples.
Eu processei Gentili por suas ofensas contra mim.
Ganhei na primeira rodada: o juiz mandou ele retirar o post com os ataques do ar, considerando-os ofensivos.
Mas, em seguida, em outro julgamento, uma juíza considerou que o humorista estaria, em sua visão, nos limites da liberdade de expressão.
Fixou, então, que eu deveria pagar mil reais a seus advogados pelas custas do processo.
Ou seja, eu não deveria para Gentili, mas para os advogados.
Ocorre que os advogados deveriam iniciar uma nova fase do processo, chamada de cumprimento de sentença, para que eu fosse intimado a realizar tal pagamento e/ou impugná-lo, mas até agora isso não foi feito.
Portanto, se não existiu cobrança, se não fui intimado para pagar suposta dívida, não existe demora ou recusa do pagamento, sendo totalmente descabida a alegação de calote.
Caloteiro é, como se sabe, aquele que se recusa a pagar o que deve. Não é o caso
É como se aquele consumidor do aparelho de televisão fosse acusado de estar em dívida sem receber o boleto.

A tática do Fake News é disseminar o mais que pode uma mentira até que, por repetição, pareça uma verdade.

Para quem tem chance de se defender – meu caso, que sou comunicador – já é difícil, imagine para uma pessoa sem redes sociais”.

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

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