Dimenstein: a verdade sobre o encontro de Damares com Jesus

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro
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A pastora Damares Alves está incomodada com a repercussão da disseminação do vídeo em que fale de seu encontro com Jesus no pé de goiaba.

Como apoio do presidente eleito Jair Bolsonaro, ela se voltou contra os meios de comunicação, incapazes supostamente de acreditar em sua fé.

Não é verdade: ela está apenas manipulando sobre seu encontro místico.

No vídeo, Damares Alves descreve fervorosamente em detalhes como viu Jesus subir na árvore, sabendo que a platéia de religiosos estaria disposta a acreditar em cada palavra. Basta ver aqui.

Ela, portanto, se mostrou com uma mulher iluminada capaz de ter um contato direto com o divino, a ponto de travar um diálogo. O que, obviamente, aumentava seu poder como pastora.

Natural que essa cena, jogada num ambiente maior e mais cético, provocaria no mínimo dúvidas pertinente. Seria um surto psicótico?, perguntariam psicólogos ou psiquiatras, imaginando o impacto do abuso sexual que ela citou.

Mas, diante da imprensa, ela dá a entender que, como toda criança, também tinha seus “amigos imaginários”- e Jesus estaria nessa categoria.

“As crianças têm amigos imaginários. Hoje os pais compram unicórnios para as crianças, que não existem. Eu, aos dez anos de idade, quando eu quis me suicidar, eu tive o meu amigo imaginário. Eu estava em cima de um pé de goiaba, eu ia tomar veneno, ia morrer. Era muita dor na alma por todos abusos que passei. E, quando estava em cima do pé de goiaba, não vi um unicórnio, não vi um amigo imaginário. Eu vi o que eu acreditava: Jesus”, disse ela a jornalistas.

Ou seja, colocou a responsabilidade na imaginação de uma criança atormentada.

Uma versão mais aceitável e plausível para muita gente.

O revide,  porém, é se colocar no lugar de vítima da incompreensão.

Se a futura ministra quiser mesmo sustentar revelações divinas deve estar preparado a ter um outro tipo de plateia não religiosa.

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.