Guru de Bolsonaro defende expulsão de jornalistas do Brasil

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

Olavo de Carvalho, guru de Jair Bolsonaro, defendeu a expulsão de jornalistas estrangeiros do Brasil.
“Os representantes de órgãos de mídia estrangeiros que só vão ao Brasil para dar palpites em vez de noticiar os fatos deveriam ser banidos do território nacional”, escreveu em seu twitter.
Curiosamente, ele, nos Estados Unidos, tinha visto com jornalista. Não apenas dava palpites como disseminava Fake News, como a “notícia” de que Barack Obama seria estrangeiro.
Chegou até a divulgar uma carteira de estudante falsa de Obama, apresentando-o como aluno estrangeiro na Universidade Columbia.

Não é a primeira vez que Olavo de Carvalho mostra seu incômodo com jornalistas.

Essa frase acima não teria maior importância não fosse de autoria de Olavo de Carvalho, guru do clã Bolsonaro, responsável pela indicação de dois ministros.
Mais: se essa não fosse uma tendência em países como Turquia, Venezuela, Polônia, Hungria e mesmo Estados Unidos, onde Trump, investigado por uma série de irregularidades, apresenta a mídia como “inimiga do povo”.

Apenas reforça o temor de que uma visão autoritária sobre a imprensa domine a gestão Bolsonaro.
Já existem uma série de sinais esparsos.
Há rumores de que, apesar de estar longe de Brasília, Carlos Bolsonaro, que chefiou as mídias sociais do pai durante a campanha, terá forte influência na secretaria de comunicação da presidência através de Floriano Amorin.
Veja a visão que Carlos tem da imprensa.

O jornalista Bruno Abbud, da revista Época, das Organizações Globo, registrou um Boletim de Ocorrência após receber ameaças ameaças nas redes sociais.

Segundo filho do presidente eleito, Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) está na vida pública desde os 17 anos
Isso porque, há algum tempo, o repórter estava escrevendo um perfil sobre o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ). O que não agradou o segundo filho do presidente eleito, que usou sua conta no Twitter para dizer que sua vida está sendo vasculhada.

Na publicação, o parlamentar desejou “boa sorte” ao jornalista e pediu a seus seguidores que não dessem “bola”. Suficiente para motivar uma onda de ataques contra o autor do texto nas redes sociais.
Esse B.O apenas aumenta a sensação de que a família Bolsonaro tem dificuldades em lidar com a liberdade de imprensa.
O presidente eleito já disse que iria tirar a Folha de S. Paulo das verbas oficiais e fez ataques à Rede Gobo.
Na sua diplomação referiu-se ao contato direto com a população sem intermediário – o que foi um recado para os meios de comunicação.
Minha visão é simples: jornalistas e jornalismo cometem erros. Mas, sem eles, não há transparência. E sem transparência não há democracia.

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.