3 mulheres que mudaram a vida através do empoderamento financeiro

Elas conquistaram a independência quando passaram a administrar, investir e organizar as próprias finanças.

Por: Publi |

Quem é chefe de família no Brasil são as mulheres. O número mais que dobrou em 15 anos e passou de 14,1 milhões, em 2001, para 28,9 milhões, em 2015, um avanço de 105%, segundo uma pesquisa feita pela Escola Nacional de Seguros. Esse é um dos dados que comprovam como elas conquistaram o empoderamento financeiro.  Mas as mulheres querem mais!

No país, elas recebem só 77,5% do rendimento pago aos homens. Enquanto eles ganham R$ 2.410, elas recebem apenas R$ 1.868, em média. Esse é um dos principais fatores que distanciam o gênero feminino do cuidado com as próprias finanças.

Além disso, depender financeiramente de um parceiro, por exemplo, é um dos motivos que leva 29% das mulheres que sofrem violência doméstica a não denunciar uma agressão, de acordo com o estudo de ”Violência doméstica e familiar contra a mulher”, do Senado Federal.

Não só neste caso, mas em outras ocasiões, mulheres acabam reféns do dinheiro e pouco se fala em investimentos ou como fazer um planejamento financeiro.

Conversamos com 3 mulheres que deram a volta por cima e hoje são donas da própria renda e investimentos. Buscamos entender os motivos que as fizeram depender financeiramente de algum cônjuge e o que mais as afastou por tanto tempo do sonho de investir ou planejar seus gastos e economias a médio e longo prazo.

Joana Vieira de Araújo, auxiliar de controle de qualidade, 43 anos

Quando a relação não é de amor, é de dependência

“Eu sempre trabalhei desde dos 15 anos e parei com 31 anos quando tive meu filho. Conheci meu marido trabalhando na mesma empresa e ficamos no mesmo emprego por 11 anos. Era tudo perfeito, até que depois do meu filho, ele pediu pra que eu parasse de trabalhar.

De 2007 até 2014, passei a cuidar da casa e depender do marido pra tudo, até que me cansei. Percebi que tudo foi piorando porque ele era machista e ciumento.

Uma vez ele me ligou e eu não vi. Quando eu cheguei em casa, pegou o meu celular e quebrou. Passou um tempo, eu tinha comprado outro celular pago por ele, ele me ligou novamente e eu não atendi. Ele chegou em casa, pegou o celular, só que dessa vez não quebrou, mas escondeu por alguns meses. Percebi que minha vida estava chata, eu não estava feliz e meu filho tinha crescido.

Crédito: Arquivo pessoal/Joana Vieira“Estou separada há três anos. No começo foi difícil, mas tudo passa”, confessa Joana, que hoje mora com o filho.

Aí, eu resolvi trabalhar, só que não imaginei que ia acontecer tudo tão rápido. Primeiro, ele disse que eu podia trabalhar, mas não podia chegar tarde. Só que no novo trabalho ia ter um horário que eu chegaria mais tarde, ele foi tão ignorante que não quis nem conversar e tomou a atitude de trocar a fechadura pra que eu não entrasse. Esse foi o fim! Fui embora e voltei só pra pegar minhas coisas

Depois de 4 meses trabalhando eu estava separada! Só me arrependo de não ter tomado essa decisão antes. Eu abri um restaurante — era um sonho que eu tinha — gosto muito de cozinhar e meu tio sabendo disso me ajudou. Ele entrou com o dinheiro e eu com o meu trabalho.

Foi o ‘Joana Bar’ que me fez levantar a cabeça e dizer: bola pra frente, a vida segue. Eu tinha muito trabalho, não tinha nem tempo pra pensar na decepção. Fiquei com ele aberto por 2 anos e meio, e tive que fechar por conta da crise, mas foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eu sempre falo: o Joana Bar me libertou!”

Thais Alves, designer, 27 anos

Religião, homofobia e a falta de oportunidade culminaram na ausência do controle financeiro

“Minha trajetória financeira começou bem cedo. Quando eu tinha 15 anos meus pais descobriram minha orientação sexual e me privaram do contato com qualquer outra pessoa que não fosse da igreja ou da escola.

Então, eu fui atrás de um emprego que me desse independência financeira e consequentemente, liberdade. Nesse primeiro emprego trabalhei na área contábil, lá foi o meu primeiro contato com finanças e investimentos, fora da minha realidade que era economia doméstica.

Apesar disso, na minha família eu sempre vi minha mãe administrando os gastos de casa, as contas recorrentes e controlando os excessos. Para os meus pais o que temos de mais valioso é o nome, eles nunca deixaram sujar o deles, sempre controlados nesse aspecto, mas isso foi algo que eu aprendi somente depois que saí de casa.”

Um relacionamento de dependência e decepção 

“No começo a minha relação foi tranquila, mas com o passar o tempo foi se tornando uma situação intragável. Como contei anteriormente, eu fui atrás da minha independência financeira bem cedo, e depender de alguém ficou cada dia mais difícil, já que eu estava desempregada.

Ela tendo o poder do dinheiro, eu tinha a minha vida toda controlada por outra pessoa. Onde ia, porque ia, com quem eu ia. Não tinha liberdade pra nada, era tudo rastreado e por estar há um tempo fora do mercado de trabalho era bem mais difícil voltar.

Pelo fato de ter uma companheira mulher, foi difícil até pra eu  mesma entender que aquela era uma relação abusiva. Para o meu círculo de amizades acabou passando batido e a galera também não percebeu que era uma relação abusiva financeiramente, que perdurou inclusive após o término do relacionamento, pois eu não tinha pra onde ir.

O que mais me ajudou a ter essa virada foi a minha atual companheira, Taísa. Ela foi a pessoa que conseguiu me trazer de volta a força pra lutar e sair dessa situação, me incentivando a fazer cursos para me manter atualizada na minha área e voltar para o mercado, até que eu consegui um emprego e reconquistei minha independência financeira.

Crédito: Arquivo pessoalThais e Taísa moram juntas e dividem as finanças há dois anos e meio.

A dica que eu tenho para as mulheres é: não abra mão de quem você é por outra pessoa, não entregue seus sonhos na mão de outra pessoa que não você mesma, estude finanças e um pouco sobre investimentos e se livre de relações tóxicas e abusivas.”

Joyce Beatriz Camargo, bióloga, 36 anos

Ser independente foi só o início para uma mulher que gerencia seus gastos e investe no futuro 

“Entre minha infância e adolescência eu passei pelo final pelos planos Cruzado/Cruzeiro e pela implementação do Plano Real. Então, sempre tive muito viva as lembranças dos meus pais fazerem malabarismos para enfrentar a inflação da época. O lado positivo disso é que meus pais sempre compartilhavam conosco a situação financeira da família e quando tínhamos que fazer reduções para ajudar no orçamento.

Desse modo eu e minhas irmãs fomos criadas acreditando no conceito de que a poupança era o melhor lugar para deixar o dinheiro, até o trágico Plano Collor, onde meu pai também teve o dinheiro congelado pelos bancos.

Quando fiz minha graduação  paguei meu curso sozinha, sem ajuda dos meus pais ou subsídios do governo porque não queria assumir dívidas longas. Foram 4 anos de muitas privações, coloquei minha formação como prioridade naquele momento.”

De estudante à investidora 

“Eu vejo que há muitas mulheres “presas” no papel de dependentes financeiramente ou afundadas em dívidas sem controle dos seus gastos. Parece que é lei a mulher ter que ser consumista. O ato de comprar desencadeou o efeito manada.

Precisamos quebrar esses padrões interiorizados nas mulheres e enraizados na sociedade. Não se ensina educação financeira em nenhum lugar, como é possível aprender a economizar e aprender a investir? Do meu ciclo de pessoas conheço apenas mais 2 mulheres que fazem uso de corretoras.

Há cerca de 10 anos, ouvi sobre títulos públicos pela primeira vez. Tentei pesquisar, perguntava para as pessoas e ninguém sabia me ajudar. Era tudo muito complexo e desisti da ideia. Quando o governo liberou o fundo de garantia inativo, eu comecei a pesquisar onde investir esse dinheiro.

Crédito: Arquivo pessoal“Com a disciplina com as finanças, consegui fazer um intercâmbio para aprimorar o inglês e ainda dar uma turistada pelas terras da Rainha”, contou Joyce.

Eu estudei muito para entender como isso funcionava. Em março de 2017 abri minha conta na Easynvest, e coloquei uma pequena quantia para entender a plataforma e com medo de perder dinheiro.

Conheci a Easynvest há 1 ano, quando comecei a buscar outras opções além da poupança. Pesquisei outras corretoras também, mas achei o design dela fácil de entender. Para muitas investimentos não é cobrada taxa de administração e não exige um valor alto para começar a investir. Meus investimentos hoje são em títulos públicos (47%), Renda Fixa Privada (39%) e COE (14%), esse último para ver se vale a pena me arriscar mais [risos]!”

Uma pesquisa da Prudential, empresa de seguros americana, mostrou que 49% das mulheres entrevistadas estariam dispostas a assumir riscos financeiros pela possibilidade de recompensa. Entre os homens, o percentual sobe para 70%.

Assim como essas mulheres, investir, gerenciar e buscar a independência financeira é um dos passos importantes para deixar de lado o mito que “elas não sabem mexer com isso”. O mais importante é saber que em meio a tantas dificuldades, outras como você estão ao seu lado, sabem como é difícil, mas não desistiram. Investir o seu dinheiro, é investir exclusivamente em você!

Compartilhe: