Dietas restritivas podem trazer riscos para saúde física e mental

Dietas que restringem grupos inteiros de alimentos podem gerar um efeito contrário ao pretendido, estimulando o impulso pelo alimento proibido

Por: Redação Comunicar erro
alimentos permitidos na dieta cetogênica
Crédito: ThitareeSarmkasat/istockDietas radicais podem desencadear episódios de compulsão

Dieta da sopa, sem carboidrato, paleolítica, cetogênica, sem glúten, e por aí vai. Tem gente que não pensa duas vezes e embarca na moda do momento.  O problema é que, ao seguir dietas restritivas repetidamente e sem orientação de um profissional especializado, as chances serão mínimas de fazer o efeito desejado, além de representar riscos tanto para a saúde física quanto mental.

Entre os efeitos negativos mais comuns de mudanças alimentares radicais estão deficiência nutricional e efeito sanfona. “Estima-se que 95% das pessoas que fazem dieta recuperarão o peso perdido ou mais em poucos anos”, explica a nutricionista Marcela Kotait , coordenadora Ambulatório de Anorexia Nervosa AMBULIM HC USP.

Além disso, a especialista em transtorno alimentar e obesidade afirma que dietas não são sustentáveis em longo prazo. “Pioram a relação com a comida e com corpo, pois além de poder desencadear episódios de compulsão ou exagero alimentar, reforçam a dicotomização de alimentos entre permitidos e proibidos”, exemplifica.

Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com 200 mil voluntários, concluiu que pessoas que eliminam o glúten da dieta estão mais propensas a desenvolver diabetes tipo 2.

Os participantes do estudo foram acompanhados por durante 30 anos. Nesse período, foram descobertos mais de 15 mil casos de diabetes tipo 2 entre eles.

Os resultados também mostraram que quem consumiu mais de 12 gramas de glúten por dia apresentou risco menor de desenvolver a doença.

É importante, no entanto, ficar claro que existem pessoas que não podem comer glúten, são as chamadas celíacas. “Quando elas ingerem, desenvolvem um processo autoimune de formação de anticorpos contra o próprio organismo. No caso delas, cortar o glúten por completo não é uma opção, mas, sim, o único caminho”, esclarece a endocrinologista Flávia Conceição, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, do Rio de Janeiro.

pão sem glúten
Crédito: Chameleonseye/istockNutricionistas não recomendam adotar dieta sem glúten sem necessidade

Outro risco comum das dietas que restringem grupos inteiros de alimentos é gerar um efeito contrário ao pretendido, estimulando a compulsão pelo alimento restrito e aumentando o risco de comer além da conta.

Em vez de seguir dietas restritivas ou que reduzem significativamente a ingestão de calorias, é mais aconselhável equilibrar a dieta comendo de tudo que se tem vontade, mas em quantidades reduzidas.

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