Entenda por que é tão ruim cortar totalmente o carboidrato

Dietas restritivas são métodos comuns quando o assunto é perder peso, mas nem sempre são saudáveis

Por: Redação Comunicar erro
mulher comendo uma ervilha com o prato vazio
Crédito: Deagreez/istockNem excesso, nem restrição total de carboidrato são opções saudáveis

Dividindo opiniões acerca de sua efetividade e impacto no corpo, a dieta low carb ou no carb é utilizada principalmente por quem quer perder peso, e consiste na redução ou corte total dos carboidratos no dia a dia. No entanto, se a ação restritiva for feita sem orientação especializada, pode acarretar em riscos à saúde, além de não gerar o resultado esperado.

Por estar na moda e apresentar resultados “rápidos”, muitas pessoas embarcam na onda e começam a fazer a dieta de uma hora para outra. Mas será que os carboidratos são os verdadeiros vilões de quem quer perder peso e ser mais saudável?

Segundo a nutricionista Manuela Capezzuto, do AMBULIM (Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares) do Hospital das Clínicas, os carboidratos não são vilões, mas por vezes são apontados como culpados pelo aumento da massa corporal.

“Não existe um alimento ou grupo alimentar isolado que seria responsável por aumento ou perda de peso. Inclusive, os carboidratos representam ainda a base da nossa alimentação, ou seja, proporcionalmente eles devem ser mais consumidos do que outros grupos alimentares”, aponta.

Ainda de acordo com nutricionista, a pessoa que adota o corte de carboidratos como solução para chegar no peso ideal, acaba sofrendo com efeitos colaterais sérios, podendo desenvolver distúrbios alimentares no futuro por conta de exigir do corpo uma ação que ele não pode manter por muito tempo.

“As dietas não são sustentáveis em médio e curto prazo, pois o corpo não entende uma restrição como algo positivo e sim como uma privação. A partir disso, ele ativa um modo de sobrevivência, e o metabolismo vai funcionando de maneira menos eficaz”, afirma.

A mesma visão é compartilhada por Josefer Douglas, educador físico e um dos responsáveis pelo projeto Move.45, criado para ajudar pessoas a chegarem no peso ideal de maneira leve, tendo a atividade física como carro chefe.

grupo de atividade física
Crédito: Divulgação/Move 45Projeto Move.45 promove atividades físicas contra o sedentarismo

“O carboidrato é a principal fonte de energia que possuímos, um corte do mesmo pode ser prejudicial a saúde, além de causar um estresse muito grande no corpo”, conta Josefer. “Precisamos conscientizar a população de que a reeducação alimentar é um processo mais benéfico à saúde do que dietas restritivas, e que facilita na criação de hábitos saudáveis. Se aliarmos esta reeducação à prática de atividades físicas, a tendência é conseguirmos o êxito”, completa.

Josefer com roupa de exercício
Crédito: Arquivo pessoalJosefer Douglas, educador físico do Move.45

Aplicando esse pensamento em sua rotina, Gabriel Alfim, de 22 anos, conseguiu perder cerca de 40kg em aproximadamente 12 meses e mudou completamente sua vida –  física e emocionalmente.

“Um dia eu cheguei em casa cansado do trabalho, olhei no espelho e vi que minha situação não estava agradável, não dava mais pra eu continuar daquele jeito, eu estava com mais de 106 kg”, disse Gabriel.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quatro em cada cinco adolescentes e um em cada cinco adultos não praticam atividades físicas de maneira regular, aumentando os níveis de sedentarismo e até mesmo de obesidade.

gabriel
Crédito: Arquivo pessoalGabriel chegou a pesar 106 kg

“Eu procurei um médico, fiz uma dieta básica cortando os alimentos gordurosos e segui uma rotina com atividade física. Nesse ritmo, eu perdi mais de 40 kg e agora é só ganhar massa”, conta Gabriel, que hoje acredita em saúde sem extremismos. “Quem quer consegue tudo, vai na fé. Passe com um especialista, siga uma rotina e você não vai precisar se enfiar em uma dieta que não te faz bem.”

Seja qual for o objetivo, o excesso das dietas restritivas e o corte de nutrientes,  não são os melhores caminhos para quem busca saúde. Por outro lado, buscar ajuda especializada e respeitar os limites do corpo, configura-se como a melhor alternativa.

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