O que eles aprenderam com o desafio de 21 dias sem reclamar

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Parece simples, mas desintoxicar a mente das queixas diárias exige uma força de vontade absurda. Tão absurda que acabou virando um desafio. Na internet, diversas pessoas relatam suas experiências com o desafio dos 21 dias sem reclamar.

O período de 3 semanas tem uma explicação. Segundo os neurocientistas, 21 dias é o tempo que nosso cérebro leva para quebrar padrões comportamentais, se reprogramar e mudar um hábito, seja ele qual for, desde acordar cedo até mudar a alimentação.

O desafio, que faz sucesso no Brasil e no mundo, sugere o uso de uma pulseira, pode ser qualquer uma. O objeto deverá ser trocado de braço sempre que a pessoa falhar e fizer qualquer reclamação. Dessa maneira, a pulseira servirá como um estímulo visual para barrar a reclamação e funcionar como um lembrete.

A ideia surgiu no livro “Pare de reclamar e concentre-se nas coisas boas”, de Will Bowen. Segundo o autor, a reclamação é um hábito destrutivo que nos afasta do bem-estar e da auto-realização.

Hábito viciante

Giphy

Bowen diz que as pessoas se queixam, em média, de 15 a 30 vezes por dia e nem sequer percebem  porque, segundo ele, reclamar é um esporte competitivo fácil de participar. “A pessoa que ouve uma queixa sempre tenta reclamar mais que a primeira porque quer se conectar com ela”.

De acordo Robin Kowalski, professor de Psicologia e autor do livro “Queixas, provocações e outros Comportamentos Irritantes”,  há uma normalidade nessa ação e, para muitos, ela  serve como um quebra-gelo, uma maneira de encontrar um terreno comum com outras pessoas ou confiar nelas”.

“Mas se nos queixarmos o tempo todo pode ter efeito dominó”, adverte Kowalski. “Quanto mais você pensa sobre a insatisfação, mais você se sente insatisfeito”.

O experimento na prática

O jornalista Bruno Goulart encarou o experimento depois de ouvir um podcast sobre o desafio. “Foi um verdadeiro fracasso”, afirma ele. “Reclamar é algo tão natural, fazemos sem pensar, então, quando eu via já estava reclamando”, lembra.

24 horas foi o período mais longo que o jornalista conseguiu ficar sem se queixar de nada. Foi um grito com o cachorro que pôs fim a seu progresso no desafio.

A mesma dificuldade foi sentida pela administradora de empresas Daniela Santos. Quando não reclamava do tempo chuvoso ou quente demais, ela reclamava do despertador, da comida sem sal, ou da fila no banco. “Algumas vezes nem chegava a pronunciar em palavras, mas dava uma resmungada, o que dá no mesmo”, conta ela.

“A primeira coisa que percebi, logo no começo do desafio é que eu precisava pensar antes de falar qualquer coisa. Do contrário, acabaria reclamando sem ver. Com isso, acabei ficando mais calada no trabalho e mesmo quando estava sozinha em casa”, explica Daniela.

A maioria dos participantes que relatam suas experiências na internet concorda que, embora não consigam contar 21 dias seguidos sem queixas, eles aprenderam muito sobre si mesmos – e aqueles que os rodeiam. “Isso me fez parar e pensar sobre as coisas que falo para as outras pessoas e como eu falo”, conta Daniela. “Provavelmente não conseguiria ficar mais de 36 horas sem resmungar, mas agora é algo mais consciente”.

De acordo com Bruno Goulart, o desafio o  ajudou  a ser mais crítico com ele mesmo. “A gente sempre acha que o outro que é resmungão, mas a gente não se dá conta de que ao falar isso do outro, também estamos reclamando”, conclui.

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