Saiba por que castanha-do-pará em excesso pode causar intoxicação

Em excesso, até um alimento saudável pode se tornar o oposto

Por: Redação |

Rica em gorduras boas, minerais, fitoquímicos e com um elevado valor nutritivo, a castanha-do-pará tem inúmeros benefícios à saúde. Ela ajuda a baixar o colesterol, é boa para a imunidade, ativa o metabolismo da tireoide e melhora a circulação sanguínea. Porém, tão importante quanto saber das vantagens, também é preciso saber a quantidade certa para o consumo, já que castanha-do-pará em excesso pode causa intoxicação.

O que acontece é que a oleaginosa é fonte natural de selênio e uma ingestão prolongada desse nutriente acima do limite pode resultar em uma quantidade excessiva de selênio no sangue, o que leva à condição tóxica chamada selenose.

Na medida certa

um punhado de castanhas na mão de uma pessoa
Crédito: MachineHeadz/istockCastanha-do-pará é um alimento muito rico em selênio

Para um adulto, existe a recomendação de se ingerir cerca de 55 microgramas de selênio (mcg) por dia, sendo o limite máximo permitido de 400 mcg.

Então, você deve estar se perguntando: quantos microgramas de selênio existem em uma única castanha? Essa concentração varia muito e pode ir de 200 a 400 microgramas. Portanto, quatro a sete vezes mais do que o recomendado por dia.

De acordo com nutricionista Silvia Maria Franciscato Cozzolino – professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, que tem vários artigos publicados sobre o assunto – os teores de selênio variam bastante conforme o nível desse nutriente nos solos em que são cultivadas.

“Analisando os parâmetros bioquímicos relativos ao selênio obtidos para certos grupos da população brasileira, observamos valores abaixo da média referida na literatura. Por sua vez, em estudo que realizamos em Macapá, onde a farinha de castanha-do-brasil é utilizada na merenda escolar, observamos que todos os parâmetros bioquímicos analisados em crianças estavam muito acima dos valores de referência, indicando a necessidade de cuidado quanto aos possíveis efeitos adversos. (…) Após a conclusão do estudo, recomendamos à prefeitura de Macapá a redução do uso daquela farinha”, relata a pesquisadora em um dos seus artigos.

mulher tirando cascas das castanha-do-pará
Crédito: Brasil2/istockQuantidade de selênio nas castanhas-do-brasil varia de acordo com região

A pesquisadora explica que em cada grama de castanha-do-pará do Sudeste pode ter até  14 microgramas do mineral, enquanto que uma castanha-do-pará da região Norte do país chega a concentrar de 70 a 100 microgramas em cada 1 grama.  Sabendo disso é preciso multiplicar pelo peso da castanha. Cada uma tem cerca de 5 gramas.

Isso significa que uma única unidade da oleoginosa pode ultrapassar a dose diária recomendada do selênio que falamos lá em cima, de 55 microgramas.

Até os 400 microgramas, os efeitos adversos não são observados, por isso, fala-se em dose máxima. Porém acima disso, o selênio é tóxico e, quando uma pessoa ultrapassa os 800 microgramas por dia, o alimento saudável se transforma no oposto. O efeito tóxico pode acumular no corpo e provocar dores no estômago, enjoo, dores de cabeça, queda de cabelos, fadiga e gosto metálico na boca.

Dito tudo isso, o mais seguro é ingerir uma única castanha por dia. Claro, que não vai haver problema se você abusar vez ou outra e comer 3 ou 4, já que seu organismo vai saber lidar com o excesso e se recuperar, mas não é recomendável que isso aconteça rotineiramente.

Estar ciente sobre a possibilidade de toxidade serve para deixar o consumidor alerta sobre o consumo correto, a origem da castanha e os valores de selênio informados no rótulo das embalagens, quando essas existem.

Raio-x da castanha-do-pará

A castanha do Pará é a semente da castanheira do Pará, uma árvore da família botânica Lecythidaceae. Ela também é conhecida como castanha-do-brasil, castanha-da-amazônia, castanha-do-acre, noz amazônica, noz boliviana, tocari ou tururi.

castanha-do-pará ainda na casca

Além de ser rica em selênio – substância que reduz o risco de cânceres como o de pulmão e de próstata – a oleoginosa possui alto valor proteico e calórico.

Ela também é fonte de antioxidantes, que ajudam a combater  radicais livres, que são as moléculas responsáveis pelo envelhecimento das células.

Apesar de ser muito gordurosa, e apresentar uma parcela significativa de gorduras do tipo saturada (22% da composição de gorduras), a castanha do Pará possui ácidos graxos (oleico e palmitoleico) que ajudam a aumentar os níveis de colesterol bom e a diminuir os de colesterol ruim, o que ajuda a evitar doenças cardíacas.

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