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Solidão crônica pode afetar tanto saúde física como mental

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A importância da sociabilidade humana é reconhecida, pelo menos, desde a Antiguidade. Aristóteles (384 – 322 a.C.) –filósofo discípulo de Platão e tutor de Alexandre, o Grande– considerava que a característica social era parte da natureza humana. Apesar de ser difícil de definir a verdadeira “natureza humana”,  indivíduos que sofrem com a solidão crônica experimentam sintomas na saúde física e mental que indicam que nós realmente não nascemos para o isolamento.

Pessoas buscam a socialização –não há nada no mundo que substitua o toque, o sorriso, o olhar

Isso não quer dizer que você precise ser a pessoa mais popular do planeta, mesmo porque um pouco de privacidade também é saudável. “Doses de solidão moderadas fazem bem”, conta Sharon Feder, psicóloga e coach de saúde e bem estar. “A solidão é importante para o desenvolvimento pessoal –se sentir bem sozinho indica um nível elevado de autoestima.”

Para Ana Luiza Mano, psicóloga do NPPI da PUC  (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) e coordenadora do site Psicólogos da Internet, o fundamental é encontrar um meio-termo. “Um pouco de solidão é benéfico no sentido de conseguir olhar para si mesmo, de entrar em contato com a sua intimidade, de estar feliz consigo mesmo.”

Até pouco tempo atrás, a maior parte dos estudos sobre isolamento e solidão eram focados nos idosos, que acabavam esquecidos pela família no fim da vida. Isso mudou neste milênio.

Com as novas tecnologias, muitos jovens se isolam e vivem apenas no mundo digital. No Japão, isso até ganhou uma nomenclatura específica: hikikomori (que significa “isolado em casa”).

Esse grupo é formado por pessoas entre 15 a 39 anos. Eles se retiram completamente do convívio social e passam a viver em um isolamento dentro de casa, às vezes dentro de um cômodo. “Existe uma tecnologia que permite que a vida possa ocorrer desta maneira [isolada]”, diz Ana Luiza Mano.  “O problema não está na tecnologia, mas na maneira como a usamos.”

Efeitos físicos

Em 2009, a Universidade de Chicago divulgou uma pesquisa mostrando que o isolamento podia ser tão nocivo quanto fumar. Segundo o estudo, a solidão prejudica a imunidade e aumenta o estresse, a depressão, a pressão sanguínea e as chances de desenvolver Alzheimer.

O risco de morte prematura aumenta 30% em adultos de meia-idade que vivem isolados.

Sistema imunológico

O estado de alerta, comum nos indivíduos isolados, aumenta a chance de inflamações e diminui a capacidade de combater infecções.

A hipótese de um estudo desenvolvido pelas Universidade da Califórnia e de Chicago é a de que isso seja um sinal da evolução dos seres humanos em grupo. Fora do “bando”, o indivíduo se torna “desnaturado” e isso acarreta severas debilitações físicas e psicológicas.

Doenças cardiovasculares

Segundo um estudo da Universidade Brigham Young divulgado em 2015, a solidão pode estar relacionada ao aumento de mais de um terço no risco de doenças no coração e em derrames cerebrais.

Outro fator que colabora com esse número é o aumento de comportamentos nocivos à saúde, como o excesso de ingestão de álcool, fumo, compulsão alimentar e falta de estímulo para a prática de exercícios físicos e atividades ao ar livre.

A psicóloga Sharon Feder defende que experiências físicas são essenciais para a saúde emocional
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