Suplemento de vitaminas virou moda, mas pode representar perigo

Febre da suplementação vitamínica leva muitas pessoas a ingerir uma quantidade de substâncias muito superior à recomendada. E isso pode gerar riscos

Por: Redação Comunicar erro
Crédito: Mizianitka/PixabaySuplemento de vitaminas virou moda, mas pode representar perigo

Quando alguém acha que não está ingerindo a quantidade suficiente de determinadas vitaminas, o suplemento entra em ação. Mas você sabe quando a suplementação vitamínica é mesmo necessária?

Segundo o médico Chin An Lin, essa real necessidade é rara. Ele atua no Serviço de Clínica Geral e Propedêutica da Faculdade de Medicina da USP e acompanha diversos casos de excessos. “Tem muita gente que nos procura buscando suplementação de vitaminas para sentir menos cansaço e ter mais disposição”, lembra.

Essa busca por prescrição de suplementos de vitaminas, muitas vezes, se baseia no que a mídia mostra à população. É muito frequente a veiculação de anúncios defendendo a suplementação e incentivando as pessoas a consumirem, por exemplo, cápsulas de vitaminas. “Mas é preciso ter suplementação apenas em casos de doenças específicas”, recomenda Lin. “Quando há deficiência, é obrigatória a suplementação.”

Estudo sobre excessos

Crédito: Daria Shevtsova/PexelsSuplemento de vitaminas virou moda; melhor é alimentar-se bem

O especialista explica que esse incremento de vitaminas foi testado em pessoas sem deficiência nutricional. “A pesquisa mostrou o contrário: que, em determinados grupos, não houve ação dos suplementos e, em outros casos, a suplementação em excesso fez mal.”

Como exemplo, o médico cita a vitamina C, “estrela” de muitos comerciais incentivando seu uso. “Quando tomada em excesso, será eliminada na urina”, diz ele. “Não há estudo confiável até agora que mostre que a vitamina seja positiva quando não há deficiência.”

De acordo com Lin, o consumo de vitamina D, muito defendido atualmente, também deve ser feito com cuidado. “O teste feito para se estabelecer o nível de vitamina D no sangue considerado normal em mulheres, que tomamos como o certo, foi criado na Austrália ao redor de 1930, mas não sabemos o valor mínimo necessário, pois não há um estudo sobre isso”, afirma Lin. “Esse valor considerado normal não condiz com a realidade de hoje em dia, em que as pessoas tomam pouco sol. Mas houve uma febre de pessoas pedindo essa suplementação.”

Ele também cita que muitas pessoas relacionam a ingestão da vitamina D à prevenção de queda de idosos. “Mas não tem nada a ver, não há nada comprovado”, diz o especialista. Ou seja: na dúvida, não tome vitaminas por conta própria. Procure sempre um médico, que poderá orientar sobre seu caso específico.

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