Existe fronteira entre as ‘pequenas manias’ e o TOC

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Olhando de perto, ninguém é normal. Todos nós temos alguma peculiaridade que pode se parecer com um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Insistir em guardar livros em ordem alfabética, sempre dormir virado para o lado esquerdo da cama, nunca deixar calçados virados com a sola para cima, ter uma cor da sorte… você se identificou?

A imagem acima causa incômodo a você?

Bom, pode ficar tranquilo: nem toda peculiaridade desse tipo é um problema —isso depende da intensidade e da frequência de um determinado comportamento.

Segundo Roseli Shavitt, coordenadora do Programa de Transtorno Obsessivo-Compulsivo do IPq (Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas – SP), o TOC se caracteriza pelo tempo que os sintomas ocupam ao longo do dia, pela presença de prejuízo nas atividades do cotidiano —incluindo o convívio social ou familiar—  e pelo sentimento de sofrimento.

“Existem características obsessivas de personalidade, que são vividas como ‘normais’ e aceitáveis pela pessoa que as têm, não trazendo o desconforto que as obsessões trazem”, disse. “É muito diferente do TOC, no qual as pessoas querem se livrar dos sintomas.”

Shavitt explica que isso é formado por dois fatores: a presença de obsessões —pensamentos, imagens, medos repetitivos e intrusivos que vêm à consciência contra a vontade do indivíduo, provocando ansiedade ou desconforto—  e de compulsões —comportamentos repetitivos, ritualizados, feitos de acordo com certas regras. Essas últimas, em geral, são usadas para diminuir o desconforto provocado pelas obsessões.

O TOC pode afetar qualquer comportamento e as possibilidades de sintomas são virtualmente infinitas. “Fica em geral dentro dos temas de contaminação/lavagem, agressão/verificação/esquiva, simetria/ordem, sexual/religioso, acumulação”, contou.

TOC pode levar a compulsão por ordenar coisas

Como ocorre com outras formas de comportamento prejudicial, a família e os amigos devem conversar sobre o assunto ao perceber os sinais desse transtorno, como acontece em caso de alcoolismo.

A maioria dos portadores de TOC percebe que algo está errado, mas podem não saber que existe tratamento ou não buscar tratamento por sentirem vergonha. O suporte da família e amigos pode ser decisivo para que eles vençam essas barreiras.

“Falamos em controle dos sintomas, com a meta de se retomar uma vida normal, mas não há garantia de que uma vez melhor, não vai haver recaída. É muito importante se pensar no tratamento do TOC como um compromisso contínuo, de longo prazo.”

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